Breaking News

Polícia apura se intolerância religiosa causou demissão em prefeitura no RJ

Secretaria de Mesquita diz que demissão foi motivada por muitas faltas.
‘Fiquei muito triste com tudo aquilo’, contou Patric ao G1; assista ao vídeo.

Janaína CarvalhoDo G1 Rio

06/05/2016 14h54 – Atualizado em 06/05/2016 15h03

O que seria mais um dia de trabalho para Patric Douglas Anjo Soares Ferreira, de 25 anos, virou caso de polícia. O jovem diz ter sido vítima de intolerância religiosa ao ser dispensado da Secretaria de Transportes de Mesquita, na Baixada Fluminense, após ter ido vestido de branco e com adereços religiosos no dia 25 de abril.

 

saiba mais

“Quando cheguei já me olharam de cara feia (…) Umas 9h, chegou o nosso encarregado, olhou para todo mundo e me falou: ‘O Cléber [Rezende da Silva, secretário de Transportes] falou que você não trabalha mais aqui’”, conta Patric, contratado em março para a função de apoio operacional.

O rapaz também alegou ter ficado constrangido com o comunicado de dispensa ter sido feito na frente de outros funcionários.

“Ele podia ter me chamado numa salinha e não ter dito isso na frente de todo mundo, sem nenhuma outra explicação. Fiquei uns 20 minutos parado tentando entender o que aconteceu. Fiquei muito triste com tudo aquilo. Só porque estou de branco e com umas guias para dentro da blusa não vou poder trabalhar?”, questionou.

Prefeitura nega exposição
Segundo a prefeitura, o que motivou a demissão do funcionário foi um histórico de faltas e abandono de trabalho registrados nos dias 7, 12, 18, 19 e 20 de abril. Patrick admite ter faltado quatro dias, dois deles devido a problema de saúde na família.

Patric e a mãe de santo Dofona de Omulu onde rapaz está recolhido para a realizações de ritual (Foto: Janaína Carvalho / G1)
Patric e a mãe de santo Dofona de Omulu onde rapaz está recolhido para a realizações de ritual (Foto: Janaína Carvalho / G1)

“Sobre as questões relacionadas ao ex-funcionário Patric Douglas Anjo Soares Ferreira, a Prefeitura de Mesquita, por meio da Secretaria de Transporte, Trânsito e Ordem Pública, informa que, no dia 25 de abril, o mesmo foi instruído a não dar início a sua rotina de trabalho e aguardar para conversar com o secretário. Patric, contudo, não quis esperar e deixou o local de trabalho. A prefeitura informa ainda que o comunicado de demissão não foi feito na frente de outros funcionários”, disse a prefeitura, por meio de nota.

Investigação
O caso foi registrado na 53ª DP (Belford Roxo) como “Injúria por preconceito”, mas o artigo citado foi o 147 do Código Penal, que se refere a ameaça. No entanto, segundo a Polícia Civil, o autor do registro pode ir à delegacia solicitar a correção do documento, o que não causa nenhum dano à investigação.

De acordo com o delegado Matheus Romanelli, logo após o registro da ocorrência o delegado elenca as diligências necessárias para esclarecer os fatos e pode, nesse momento, realizar a correção. A pena por injúria vai de um a três anos de prisão.

“Outro fator importante é que as diligências são determinadas de acordo com os fatos narrados. No caso em questão, as investigações estão em andamento na unidade”, informou, por nota, a Polícia Civil.

A mãe de santo Arilza dos Santos Rosa, de 54 anos, mais conhecida como Mãe Dofona de Omulu, diz que algumas regras chegaram a ser contornadas dentro da crença religiosa para que o jovem não precisasse faltar ao trabalho.

“Quebrei as minhas regras em relação ao orixá, retirando alguns aparamentos dele para ele poder trabalhar. Conseguiu esse serviço e estava muito feliz ajudando a mãe e, ao se iniciar no candomblé, aconteceu isso aí. Ao chegar de branco no serviço ele foi dispensado na frente de todo mundo”, lamenta Arilza, ressaltando que o rapaz é o filho mais velho e precisa ajudar a mãe financeiramente.

Ainda segundo seguidores de religiões de matrizes africanas, o desrespeito com os seguidores do candomblé é frequente.

“Não há uma organização por parte do poder público para discutir essa questão de intolerância e políticas públicas. Um empregador tem o direito de dispensar o empregado, mas com o devido respeito e não baseado na intolerância”, disse Claudenilson dos Santos Rosa, conhecido no meio espiritual como Ogan Makalé.

 

 

Extraído do portal de notícias G1 / Rio de Janeiro
http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2016/05/policia-apura-se-intolerancia-religiosa-causou-demissao-em-prefeitura-no-rj.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

Related posts

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *