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Polícia e família divergem sobre morte de mãe de santo na BA

A possibilidade de intolerância religiosa não foi descartada, mas a delegada fala em perturbação de sossego

por Leiliane Roberta Lopes | 20/07/2015 – 12:57

 

Polícia e família divergem sobre morte de mãe de santo

 

(Foto: Arquivo Pessoal)
(Foto: Arquivo Pessoal)

A delegada Maria Daniele Monteiro, titular da 18ª Delegacia de Camaçari (BA) está investigando a morte da iyalorixá Mildreles Dias Ferreira, a Mãe Dede de Iansã, 90 anos, que faleceu de infarto no dia 1º de junho.

A família da mãe de santo acusa os evangélicos da igreja evangélica Casa de Oração Ministério de Cristo de intolerância religiosa, pois um dia antes da morte da idosa os fiéis da igreja realizaram uma vigília.

A delegada não descarta a intolerância religiosa, mas começa a ver, de acordo com os depoimentos, que as falas dos evangélicos não eram direcionadas para a mãe de santo. “Existe a perturbação clara do sossego alheio. A questão da intolerância religiosa não está descartada, mas ainda estamos investigando. Moradores que foram ouvidos não confirmaram que evangélicos se concentravam na porta do terreiro”.

Com o barulho da vigília, Mãe Dede de Iansã não conseguiu dormir e na noite seguinte ela faleceu.

“Mãe Dede passou a madrugada da vigília em claro e na noite seguinte acabou morrendo. Gera desconforto e a gente sabe que falam muito em demônio, então, fica parecendo provocação. Mas fica complicado afirmar porque os cânticos são assim”, comenta a delegada.

Mas a família diz que os evangélicos ficaram na porta do terreiro falando palavras contra a mãe de santo e que os fiéis da igreja constantemente perseguem quem frequenta os cultos do candomblé.

“Mesmo após a morte da minha avó, eles continuam com as provocações. Quando temos visitas, ficam provocando e gritam ainda mais alto com palavreados que prefiro nem reproduzir. Até caixa de som colocam fora da igreja”, conta Bárbara Cerqueira, neta de Mãe Dede segundo o Terra.

A igreja está a pouco mais de um ano no local, funcionando a poucos metros de onde Dede de Iansã mantinha o terreiro de candomblé Oyá Deña, espaço religioso que funciona há 45 anos.

 

Extraído do site Gospel Prime
http://noticias.gospelprime.com.br/policia-familia-morte-mae-de-santo/

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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