Breaking News

Polícia investiga caso de intolerância religiosa em São Gonçalo

Menina de 15 anos foi vítima de preconceito

    

Enviado Direto da Redação20/08/2017 às 07:15h

Pais da adolescente, Leandro e Raquel contaram que a filha não quer mais voltar para a escola
Foto: Filipe Aguiar

Por Matheus Merlim 

“Pai, eu prefiro me matar do que voltar para a escola”. Foi isso que um pai teve que ouvir da própria filha, de 15 anos, vítima de comentários de preconceito contra sua religião, o Candomblé, dentro de um colégio estadual na Brasilândia. O caso foi registrado na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de São Gonçalo.

“Gorda macumbeira” e “Macumbeiro tem que morrer”. De acordo com a família da jovem, essas foram algumas das ofensas feitas à adolescente, por um colega de classe. O pai, Leandro Coelho, de 35 anos, só descobriu quando foi chamado à escola, porque a menina ficava chorando pelos cantos.

“Fui chamado à direção porque ela estava chorando muito e ninguém estava entendendo. Ela tem uma personalidade forte, mas depois de insistir muito, ela me falou: ‘Pai, eu não aguento mais estudar aqui, tem horas que dá vontade de me matar’”, contou o pai.

Com o relato da filha, Leandro pediu providências da direção sobre o caso, já que por reclamar dos comentários, a menina teria sido ‘suspensa’ de uma das aulas. No entanto, sete dias se passaram e nada foi resolvido. A família, então, decidiu prestar queixa na delegacia, por intolerância religiosa.

“É muito triste você deixar sua filha em uma escola, acreditando que lá ela está segura das crueldades do mundo, e acaba descobrindo que o preconceito e a maldade também estão lá. Ela sempre teve orgulho da nossa religião, foi uma escolha dela”, declarou Leandro.

A yalorixá (mãe de santo) da família, Dalva de Barro Firmo, de 69 anos, responsável pelo Ilê Alaketu Ashe M’Oya, no Boa Vista, comentou que não é a primeira vez que seus ‘filhos de santo’ são vítimas de preconceito.

O caso de Kethelyn está sendo acompanhado pela Comissão de Matrizes Africanas de São Gonçalo (Comasg).

 

 

Extraído do site do Jornal O São Gonçalo / São Gonçalo – RJ
http://www.osaogoncalo.com.br/geral/27209/policia-investiga-caso-de-intolerancia-religiosa-em-sao-goncalo

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

Related posts

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *