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Polícia reconstitui crime contra criança de 7 anos em ritual religioso

Padrasto era o principal suspeito do homicídio da menina. Agora, a mãe de Natasha é suspeita de envolvimento no crime.

Stella Freitas | Do G1 Norte Fluminense | 18/06/2015 19h37 - Atualizado em 18/06/2015 19h59    
Polícia Militar acompanhou a reconstituição do crime. (Foto: Stella Freitas)
Polícia Militar acompanhou a reconstituição do crime. (Foto: Stella Freitas)
O caso do assassinato da menina Natasha Reis Teixeira, de 7 anos, ganhou nova repercussão nesta quinta-feira (18) em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. O delegado responsável pelo caso afirmou durante coletiva que o padrasto não é mais o principal suspeito pelo crime, e sim a mãe da menina e uma outra mulher. A reviravolta se deu após novos depoimentos dos envolvidos no caso nos últimos dias. A reconstituição do crime foi realizada nesta tarde. As suspeitas não foram encontradas para falar sobre o caso. Durante coletiva, o delegado Geraldo Rangel, titular da 134ª DP, disse que o padrasto foi inocentado do envolvimento no crime após a mãe, de 32 anos, e o próprio padrasto terem dado novas informações sobre o caso. Segundo Geraldo, no segundo depoimento, o homem disse à polícia que as crianças foram levadas, na sexta-feira (5) que antecedeu a morte da menina, para uma casa de parentes no Parque Aurora, onde teriam participado de um ritual religioso. Segundo o laudo do Instituto Médico Legal (IML), Natasha foi morta no último dia 6 por asfixia causada por esganadura. A criança chegou a ser socorrida para o Hospital Ferreira Machado (HFM), mas não resistiu e morreu na unidade. O delegado apontou que no primeiro momento as testemunhas imputavam a culpa da morte da menina no padrasto, já que ele confessou em depoimento que agredia a menina e as outras crianças. Mas depois de ser preso, o padrasto falou que não esteve com a menina na noite de sexta, e que as crianças foram levadas para a casa religiosa que a mãe frequentava. Após esse novo dado, o delegado chamou a mãe para um novo depoimento, no qual ela teria afirmado ter mentido. “A mãe no segundo momento nos revelou que a Natasha não tinha saído de casa com aquelas lesões que ela apresentava no pescoço. Ela nos disse que tinha mentido no primeiro depoimento e teria induzido a polícia ao erro para fazer com que a responsabilidade criminal fosse para o padrasto”, mencionou o delegado. Segundo a Polícia Civil, a mãe de santo, de 59 anos, disse em depoimento, que Natasha foi levada ao centro para ser rezada, mas que não se lembrava do que aconteceu durante a sessão religiosa porque estava incorporada.
Uma boneca foi usada na reconstituição para ajudar na elucidação do crime (Foto: Stella Freitas)
Uma boneca foi usada na reconstituição para ajudar
na elucidação do crime (Foto: Stella Freitas)
“É muito difícil descobrir exatamente o que aconteceu numa situação como essa”, ressaltou o delegado, informando que a mãe da menina sugere no depoimento que o sufocamento tenha sido provocado pela mãe de santo, que por sua vez acredita que a mãe tenha segurado a filha de forma brusca e acabou sufocando a menina. Ambas contaram que durante a sessão religiosa, a menina teria incorporado um espírito obsessor e a mãe de santo tentou fazer o que eles chamam na religião de puxada, que é fazer com que a mãe de santo incorpore o mau espírito, para livrar a menina. Mas as duas afirmaram não lembrar o que aconteceu depois. Por conta das divergências nos depoimentos, o delegado chegou a fazer uma acareação entre as duas. “A Polícia Civil, como não poderia ser diferente, respeita todas as formas de religiões, mas um crime ocorreu durante a sessão e independentemente da religião nós vamos apurar e concluir o inquérito”, disse o delegado, apontando que ambas serão responsabilizadas pelo homicídio, a mãe por ser garantidora da criança e por ter obrigação legal de evitar esse tipo de resultado e a mãe de santo por ter o controle total em relação à sessão e, sobretudo que acontece no interior de sua casa. Caso sejam indiciadas, ambas podem pegar de 12 a 30 anos de prisão.
Área foi isolada para perícia na casa onde o crime teria ocorrido (Foto: Stella Freitas)
Área foi isolada para perícia na casa onde o crime teria ocorrido (Foto: Stella Freitas)
Reconstituição Durante a tarde foi realizada a reconstituição do crime, que durou cerca de duas horas. Todos os envolvidos na sessão religiosa no dia 5 participaram, entre a mãe, a mãe de santo e a irmã de Natasha, de 12 anos. O Conselho Tutelar também acompanhou toda ação pericial e informou que os outros irmãos da menina estão sob a responsabilidade de familiares até a conclusão do caso. O delegado informou que a ação teve um saldo positivo e irá aguardar o laudo técnico para concluir o inquérito. A reconstituição foi acompanhada por Gilberto Coutinho (Totinho) que é membro do Fórum Municipal de Religiões Afro-brasileiras (Frab) e coordenador dos Direitos Humanos e Cidadania da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social. “A gente não pode deixar que a religião afro seja deturpada. Estávamos ali simplesmente para garantirmos direitos das pessoas adeptas às religiões afros”, citou.     Extraído do portal de notícias G1 / Campos dos Goytacazes – RJ http://g1.globo.com/rj/norte-fluminense/noticia/2015/06/mae-de-santo-participa-de-reconstituicao-de-crime-contra-crianca-de-7-anos.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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