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Porque devemos guardar resguardo após as obrigações para nosso Nkisis?

Odobi Torogiman – 17/03/2015 20:54

Hoje em dia, os Zeladores procuram, a medida do possível, “aliviar”, o que eu acho errado,mas tudo em nome da evolução dos tempos. É difícil a gente deixar de fazer as coisas que estamos acostumados em nosso dia a dia, ainda mais que serão cortadas por um bom  período, por vários anos ou para sempre de nossas vidas…
Sinto saudades de quando conhecia meu “pai de orunkó” pelos pés, pelos chinelos dele; do passar arriada nas portas das casas dos Nkisis; do degrau do jardim do barracão de meu Zelador, onde há uma mangueira e havia uma concorrência entre os yawos para sentar no degrau; saudades de pedir a bênção aos mais velhos sem olhar em seus olhos; saudades do respeito, da hierarquia respeitada, que hoje, em algumas casas de santo, não vejo mais.
O resguardo é super importante e valioso, é o respeito à nossa casa, ao nosso Zelador que colocou as obrigações em nossos oris, ao nosso asé, aos nosso Nkisis. É mostrar que usamos mais a razão que a emoção.
Quando “quebramos” um resguardo, perdemos a força que nossos Nkisis nos dão, pois ele quer ser obedecido e,  é como se o yawo quebrasse o elo da corrente de confiança que ele tinha e vai custar muito tempo, para que o Nkisi possa perdoar essa falha. Portanto, fazemos e cumprimos resguardo, para não perdermos a força dada pelos Nkisis, pois resguardo equivale a força.
Atualmente, nada “quebra asé”. Os resguardo que eram de no mínimo três meses, passaram para sete dias, kelê é posto no assentamento do santo, pois a maioria não quer cumprir resguardo. E eu pergunto: ” que força essa criatura, esse asé terá para doar à seus iniciados, se a força foi partida, quebrada, em nome da evolução dos tempos?” É necessário esse tempo para que o Nkisi possa se alimentar, e nosso corpo ser utilizado como um templo. Por tudo isso, não devemos “quebrar” resguardo.
Mukuiu para todos!