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Preconceito religioso cresce 19% no Brasil

Só no ano passado, foram registradas 300 denúncias de discriminação

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Leia Já , site parceiro da Tribuna da Bahia Online

Publicada em 21/04/2017 14:14:47

Carol Nunes e Batoul Khamis. Ambas são jovens, cursam ensino superior e moram em Guarulhos, porém as semelhanças não são apenas essas. Infelizmente, as duas sofrem ou já sofreram algum tipo de ofensa por conta de suas religiões.

O preconceito religioso é um tema abordado no mundo inteiro. No ano passado, foram registradas 300 denúncias de discriminação religiosa no país, 19% a mais que no ano passado.

De acordo com o SOS Racismo, órgão responsável por receber denúncias de preconceito religioso em Guarulhos, foram recebidas 30 denúncias no ano passado. A maioria das vítimas de preconceito é de candomblecistas e judeus.

“Recebo ofensas só pelo fato de usar véu”, diz a estudante de biomedicina Batou Khamis, 18 anos. Ela é muçulmana desde que nasceu e conta que ouve, constantemente, vários tipos de insultos. “Trabalho em um restaurante com o meu pai e várias vezes aparecem clientes que são ofensivos comigo. Falam que sou terrorista e que roubo o emprego dos brasileiros, sendo que eu sou brasileira”, diz.

De acordo com Khamis, a falta de informação é o principal fator que contribui para o preconceito religioso. “Muitas pessoas não conhecem a religião e logo pensam que todos os muçulmanos são terroristas ou algo do tipo. Falta uma divulgação maior da mídia”.

Porém, nem sempre a discriminação religiosa vem apenas de desconhecidos. A estudante de jornalismo Carol Nunes, 25, diz que recebe ofensas de familiares e conhecidos pelo fato de ser candomblecista.

Ela segue a religião desde 2012 e conta que sua tia a ofendia constantemente. “Minha tia não aceita de jeito nenhum. Ela frequenta uma igreja muito tradicional aqui em Guarulhos e me faz ameaças, falando que vai me tirar de casa e que Deus um dia vai me cobrar pelas minhas escolhas”, conta.

Até mesmo a sua mãe, Dona Marli, de 60 anos, foi contra a decisão da filha no começo. “Quando contei pra minha mãe que eu estava indo para o Candomblé e estava gostando, ela ameaçou se matar. Surtou de uma forma que eu não esperava. A ponto de pegar uma faca na cozinha e querer cortar os pulsos. Eu fiquei muito mal. Cheguei até a sair da religião por um tempo”, relata.

De acordo com Carol, os almoços em família acabam sendo uma dor de cabeça pois, sempre que podem, os parentes a ofendem e rebaixam a sua religião. “Sempre quando estão falando de Deus e eu tento falar sobre o Candomblé, caem de pau em cima de mim”.

Ela diz que não só ela sofre com as ofensas, mas sua mãe também é vítima. “Como o centro de Candomblé que eu frequentava era do lado da minha casa, eu saía com as vestimentas e todo mundo via. Assim que os vizinhos descobriram, fizeram a vida da minha mãe um inferno”.

Carol acredita que, além da falta de informação na mídia sobre a religião, um dos fatores que contribuem para o preconceito são as pessoas que usam a fé como uma ferramenta de extorsão de dinheiro.

”Eu quero morrer quando eu vejo cartazes na rua com as frases ‘trago seu amor de volta’, pois isso mancha a imagem do Candomblé. Essas tentativas de ganhar dinheiro em cima da fé alheia são as parte negativa de muitas religiões”.

Carol acredita que dificilmente as religiões cristãs vão ajudar a reduzir o preconceito educando seus integrantes para a tolerância.  “Quando você vai em casas de Candomblé, ninguém fala mal da Igreja Evangélica ou de outras religiões. Em compensação, a Igreja desce o pau no Candomblé, falando que qualquer evento negativo na vida de um fiel é culpa de algum espírito ou obra do Candomblé”, desabafa.

 

 

Extraído do site do Jornal Tribuna da Bahia / Salvador – BA
http://www.tribunadabahia.com.br/2017/04/21/preconceito-religioso-cresce-19-no-brasil

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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