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Pregação religiosa termina em confusão dentro de ônibus em Olinda

Babalorixá foi agredido verbalmente por evangélicos no Terminal de Xambá

Publicado em 17/06/2016, às 10h06

 

Evangélicos criticaram babalorixá em coletivo Reprodução/Facebook
Evangélicos criticaram babalorixá em coletivo
Reprodução/Facebook

JC Online

Uma simples viagem de ônibus transformou-se em um caso de intolerância religiosa e terminou em confusão em Olinda. O babalorixá Alexandre L´Omi L´Odò afirma ter sido constrangido por evangélicos quando circulava no coletivo que faz a linha TI Xambá/Encruzilhada, enquanto o veículo ainda estava parado no Terminal Integrado de Xambá, em Olinda, no Grande Recife.

LEIA TAMBÉM – Evangélicos tentam invadir terreiro em Olinda

O caso aconteceu na noite do dia nove de junho. Alexandre estava sentado na parte traseira do ônibus, junto com o afilhado Henrique Falcão, quando um vendedor ambulante iniciou uma pregação religiosa evangélica. Um dos maiores terreiros da Região Metropolitana do Recife, fica justamente atrás do terminal, e o camelô teria ofendido o principal sacerdote do local, Pai Ivo de Xambá, além de criticar os adeptos de cultos de matriz africana.

Foi quando Alexandre interveio para defender não só Pai Ivo como toda a religião. Iniciou-se um intenso bate-boca no coletivo. Outros evangélicos se juntaram ao ambulante e um deles chamou o babalorixá para a briga, supostamente alegando que “ninguém toca em um filho de Jesus”.

Alguns seguranças do terminal tentaram tirar Alexandre do coletivo. “Resisti, pois disse que tinha pago a passagem e que, ali, eu era a pessoa violentada”, afirma. Após a desistência dos fiscais, o ônibus seguiu viagem. Ainda houve bate-boca, mas sem agressões físicas.

Alexandre recorreu ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) após ter sido avisado que haveria um decreto do Grande Recife Consórcio – empresa que gere o transporte coletivo na Região Metropolitana – proibindo o proselitismo religioso nos coletivos. “Não pensei em prestar queixa, não queria punir ninguém. Apenas alertar para um episódio de intolerância que não deveria ter acontecido e que poderia terminar de forma grave para mim”, diz.

Em 2012, evangélicos tentaram invadir um terreiro, também em Olinda. O caso repercutiu bastante nas redes sociais. Veja o vídeo:

As imagens foram captadas pelo filósofo e babalorixá Érico Lustosa, vizinho do terreiro alvo dos ataques. Segundo ele, por pouco os evangélicos não invadiram o espaço. “Eles gritavam ‘Sai daí, satanás’ e forçaram o portão. Foi aí que me coloquei em frente ao portão e meu filho começou a gravar. Um deles gritou para a gente tomar cuidado, que ele era evangélico mas era também um ex-matador”, relembrou.

 

Extraído do site JC on line / Recife – PE
http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cidades/geral/noticia/2016/06/17/pregacao-religiosa-termina-em-confusao-dentro-de-onibus-em-olinda-240571.php

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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