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Procissão de embarcações leva oferendas para Iemanjá em alto-mar

Saída dos presentes ocorreu por volta das 16h15, no Rio Vermelho.
Desde cedo, devotos da Rainha do Mar fizeram homenagens no local.

Do G1 BA | 02/02/2016 17h38 – Atualizado em 02/02/2016 17h38

 

 

Oferendas para Iemanjá são colocadas em alto-mar (Foto: Reprodução/TV Bahia)
Oferendas para Iemanjá são colocadas em alto-mar (Foto: Reprodução/TV Bahia)

Começou por volta das 16h15 desta terça-feira (2) a procissão marítima que levou ao mar as oferendas dos devotos para Iemanjá, na tradicional festa em homenagem à Rainha do Mar, em Salvador. Os presestes para Iemanjá foram colocados em alto-mar.

Após 15 minutos navegando, o barco levando os presentes parou e as oferendas foram jogadas no oceano. Diversos barcos acompanharam a procissão.

Baleia toda produzida com material biodegradável será levada ao mar por pescadores às 16h30 desta terça-feira (2) (Foto: Rafael Teles / G1 )
Baleia toda produzida com material biodegradável
será levada ao mar por pescadores às 16h30 desta
terça-feira (2) (Foto: Rafael Teles / G1 )

Festa de Iemanjá
Nem a chuva afastou os devotos de Iemanjá do bairro do Rio Vermelho, em Salvador, na manhã desta terça-feira (2). O guarda-chuva e a capa de plástico se juntaram aos tradicionais presentes oferecidos à rainha do mar e se tornaram itens quase obrigatórios na mão de quem participou da festa. [Confira as fotos das oferendas levadas para Iemanjá em Salvador e aqui veja a programação completa do evento]

A conscientização foi outra marca registrada do festejo, que em 2016 completa 93 anos. As flores predominaram e foi o presente mais oferecido pelos devotos. Perfumes e alfazemas também foram muito utilizados, mas muitas pessoas despejavam o líquido sobre as pétalas e descartavam a embalagem antes de entregar a oferenda.

Alguns devotos não abrem mão de presentear Iemanjá com espelhos, pentes e itens de maquiagem (Foto: Rafael Teles / G1)
Alguns devotos não abrem mão de presentear
Iemanjá com espelhos, pentes e itens de
maquiagem (Foto: Rafael Teles / G1)

Sabonetes, espelhos, bonecas, pentes e itens de maquiagem também foram oferecidos por muitos devotos que não abrem mão de manter a tradição. É o caso de Jonílson Nascimento, frequentador da festa há mais de 20 anos. “Iemanjá é muito vaidosa e adora esses presentes, ela aceita e fica com todos”, contou.

 

Seguindo a linha dos ecologicamente corretos, a estudante Lohana de Britto fez um barco e enfeitou com flores para oferecer a rainha do mar sem causar danos ambientais. “Queria um presente que não poluísse, então fiz o barco de argila, que não vai prejudicar o mar. Coloquei flores e escrevi alguns pedidos na lateral dele”, explicou a estudante.

 

Estudante produziu barco de argila para preservar o meio ambiente (Foto: Rafael Teles / G1)
Estudante produziu barco de argila para preservar
o meio ambiente (Foto: Rafael Teles / G1)

houve também devotos de primeira viagem, que se preparam pedindo ajuda para os que já conheciam a festa. É o caso de José Joaquim, de 68 anos, que mora em Pernambuco e estava participando da comemoração pela primeira vez. O aposentado exibia com orgulho as flores e alfazema que comprou assim que chegou Ao Rio Vermelho.

 

“Sou devoto do Senhor do Bonfim, já tinha participado da lavagem, mas nunca tive oportunidade de conhecer a festa de Iemanjá. Não sabia muito bem o que trazer, então saÍ de casa sem nada e deixei para comprar aqui. Me aconselharam a comprar flores e jogar alfazema, então é isso que vou fazer”, contou.

 

Entrega oficial
Por volta das 6h, uma longa fila já era formada por devotos que deixavam os presentes na Casa de Iemanjá. Lá são formados balaios que serão colocados em um tablado montado na praia, para ser levado ao alto-mar por pescadores, junto com a oferenda principal, uma baleia de material biodegradável produzida pelo Terreiro Ilê Axé Jybaiê.

Professor faz questão de ir até a beira do mar para entregar as oferendas à Iemanjá (Foto: Rafael Teles / G1)
Professor faz questão de ir até a beira do mar para
entregar as oferendas à Iemanjá (Foto: Rafael
Teles / G1)

Jaime Dias, filho de santo e membro do terreiro, conta que a baleia foi escolhida por ser o maior mamífero do mar e representa mais um dos filhos de Iemanjá. “Ela também está sob a proteção de Iemanjá, é o maior filho da rainha do mar”, explicou.

Muitos devotos não esperaram até a tarde e preferiram ir pessoalmente oferecer os seus presentes. Pescadores da região cobravam cerca de R$ 15,00 para levar as oferendas, mas algumas pessoas apenas deixavam os presentes na beira do mar.

O professor Marcos Lázaro contou que faz a escolha de deixar o presente pessoalmente na água para ter um momento de oração e agradecimento. “Gosto de vir até a beira do mar para ter meu momento espiritual, agradecer e fazer meus pedidos com mais tranquilidade”.

O pernambucano aposentado, José Joaquim, pediu ajuda para escolher as oferendas em sua primeira participação na festa (Foto: Rafael Teles / G1)
O pernambucano aposentado, José Joaquim, pediu ajuda para escolher as oferendas em sua primeira participação na festa (Foto: Rafael Teles / G1)
Devota Rita Santos optou por flores e frutas na hora de escolher os presentes para a 'Rainha do Mar' (Foto: Rafael Teles / G1)
Devota Rita Santos optou por flores e frutas na hora de escolher os presentes para a ‘Rainha do Mar’ (Foto: Rafael Teles / G1)
Comerciantes ofereceram opções de oferendas e lembranças da festa de Iemanjá (Foto: Rafael Teles / G1)
Comerciantes ofereceram opções de oferendas e lembranças da festa de Iemanjá (Foto: Rafael Teles / G1)
Eduardo Lima, de 5 anos, participou da festa e presenteou Iemanjá pela primeira vez (Foto: Rafael Teles / G1)
Eduardo Lima, de 5 anos, participou da festa e presenteou Iemanjá pela primeira vez (Foto: Rafael Teles / G1)

 

Extraído do portal de notícias G1 / Salvador – BA
http://g1.globo.com/bahia/verao/2016/noticia/2016/02/procissao-de-embarcacoes-leva-oferendas-para-iemanja-em-alto-mar.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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