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Procissão homenageia Iemanjá nas ruas do Rio de Janeiro

Nielmar de Oliveira

Agência Brasil

Umbandistas participam da 9° Carreata do Barco de Iemanjá, em procissão de pouco mais de 10 quilômetros (Fernando Frazão/ Agência Brasil)
Umbandistas participam da 9° Carreata do Barco de Iemanjá, em procissão de pouco mais de 10 quilômetros (Fernando Frazão/ Agência Brasil)

A Congregação Espírita Umbandista do Brasil promoveu na tarde de hoje (28) uma procissão motorizada pelas ruas do centro e da zona sul do Rio de Janeiro para celebrar a passagem do ano e homenagear Iemanjá.

A procissão, segundo os organizadores do evento, adotada pela prefeitura da cidade culminou com a entrega à rainha do mar do 9º Barco a Iemanjá, uma cópia de embarcação, de 5 metros, com oferendas à rainha do mar.

Como já vem se tornando tradição na cidade, a procissão motorizada teve início na Rua Sampaio Ferraz, no Estácio, zona norte da cidade. O destino final foi a Praia de Copacabana.

A procissão cruzou seis bairros da cidade: Estácio (de onde a procissão motorizada saiu), Lapa, Glória, Catete, Flamengo e Botafogo. Das janelas as pessoas acenavam e saudavam a passagem da rainha do mar – um dos muitos nomes pelo qual o orixá é conhecido.

O cortejo – durante todo o percurso acompanhado por batedores da Polícia Militar, da Guarda Municipal e da CET-Rio, além de um grupo de motoqueiros conhecidos como Cavaleiros da Arte Real – chegou a Copacabana às 17 horas onde vários fiéis já o aguardavam.

A imagem seguiu durante todo o percurso em uma carreta apoiada em caminhonete do Corpo de Bombeiros. A procissão era precedida por carros e ônibus que levavam os fiéis. Entoando cânticos religiosos, dançando e com palavras de saudação à deusa do mar, mesmo sob sol forte e muito calor, centenas de fiéis se misturaram, ao chegar à praia, aos banhistas e turistas. Eles saíram em procissão a pé por pequeno trecho entre os postos 4 e 3 da Avenida Atlântica.

No Posto 3, na intercessão da Rua Paula Freitas com a Avenida Atlântica, foram montadas duas tendas e uma grande mesa, sobre a qual foram colocados cestos com frutas, palmas e bijuterias, como brincos, colares e pulseiras. Tudo foi ofertado a Iemanjá – nome dado na umbanda à imagem de Nossa Senhora da Glória.

Orixá feminino mais popular do Brasil, e um dos mais reverenciados, Iemanjá é mãe de vários orixás, e também conhecida como Janaína, Inaê, e Princesa de Aioká (como os negros bantos chamavam o fundo do mar). Formosa e vaidosa, atribui-se à deusa de cabelos longos e perfumados o gosto e o prazer de receber flores, água de cheiro, pente e espelho.

Na avaliação da presidente da Congregação Espírita Umbandista do Brasil, Fátima Damas, a procissão teve como objetivo “resgatar uma tradição de mais de 80 anos, quando todos os terreiros de umbanda se concentravam nas areias de Copacabana”.

Com o crescimento da queima de fogos no réveillon da cidade os seguidores da umbanda tiveram, segundo Damas, de procurar outras praias para realizar seus cultos, daí a antecipação da homenagem, explicou Damas à Agência Brasil.

“Antecipando a virada do ano, no dia 29, vamos para a praia para agradecer o ano que termina e, com o coração cheio de esperança e de amor, aproveitar para pedir a Iemanjá – a mãe de todos, a senhora das águas – graças para o ano que está começando”.

 

Edição: José Romildo

Direitos autorais: Creative Commons – CC BY 3.0

Extraído do site Jornal do Brasil on line

http://www.jb.com.br/rio/noticias/2013/12/28/procissao-homenageia-iemanja-nas-ruas-do-rio-de-janeiro/

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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