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Projeto Axé faz primeira festa pública de louvor à Oxalá e Senhor do Bonfim

Em seu sétimo ano, crianças, jovens e adolescentes de 8 a 25 anos realizam publicamente, pela primeira vez, a performance de celebração ao orixá

Renata Drews (redacao@correio24horas.com.br)

13/01/2017 19:37:00 Atualizado em 13/01/2017 20:18:22

 

Entre aplausos e arrepios, as pessoas que ocuparam o Pelourinho na manhã desta sexta-feira (13), disputavam o espaço para apreciar e capturar o momento com seus respectivos celulares. A aglomeração e o som do batá, ritmo para Oxalá, foram os motivos que atraíram os olhares atentos do público para conferir a performance preparada pelo Projeto Axé: a tradicional festa de louvor a Oxalá e ao Senhor do Bonfim, que completa sete anos.

Celebrada há seis janeiros dentro da unidade do Projeto Axé, esta foi a primeira apresentação pública, realizada no Terreiro de Jesus por crianças, jovens e adolescentes. O combate à intolerância e afirmação da cultura afro brasileira são as razões da mudança, segundo o coordenador de arte e educação da ONG, Marcos Cândido. “A rua é nossa, por isso temos que nos firmar neste espaço”, arremata Regina Moura, gestora de comunicação do Projeto.

Emocionada com a apresentação, a turista argentina Celeste Médarc, de 30 anos, da cidade de Corrientes, estava de passagem pelo local quando o burburinho chamou a sua atenção e a de suas amigas. “Nunca havia presenciado algo tão intenso. Eu gostei muito”. Turistas, transeuntes, ambulantes, crianças, jovens e curiosos integraram o público de cerca de 200 pessoas.

Crianças e jovens fazem apresentação de louvor à Oxalá                                                 (Foto: Arisson Marinho/ Arquivo CORREIO)
Crianças e jovens fazem apresentação de louvor à Oxalá 
                                               (Foto: Arisson Marinho/ Arquivo CORREIO)

Ao embalo do batá, a coreografia de abertura da performance conta a história de libertação de Oxalá, que foi preso injustamente ao ser confundido com um ladrão, quando chegava à cidade de Oyo para visitar seu filho Xangô. “O batá é quase um mantra, é uma oração, e fala desse orixá que criou o mundo, que criou todas as coisas. A letra pede as bênçãos dele para ter saúde, para ter paz e para ter prosperidade”, explica Marcos.

A apresentação, segundo ele, celebra o momento de liberdade e reconhecimento de Oxalá, e a escolha das canções, reflete a necessidade de fazer com que os meninos do projeto, através de uma experiência artística, sejam capazes de valorizar a si mesmos como sujeitos.

“Emoção é o que a gente quer que os meninos sintam. Um dia eles também foram injustiçados, foram colocados na rua, foram abandonados. E hoje eles estão aqui nesta condição de Oxalá, sendo celebrados, sendo arte”, explica Cesare De Florio La Rocca, presidente e fundador da ONG.

              Crianças e jovens do Projeto Axé fazem participação no Terreiro de Jesus                                         (Foto: Arisson Marinho/ Arquivo CORREIO)
Crianças e jovens do Projeto Axé fazem participação no Terreiro de Jesus 
                                       (Foto: Arisson Marinho/ Arquivo CORREIO)

Um remix do hino do Senhor do Bonfim foi a segunda canção da festa, seguida pelo hino do Projeto Axé. A performance terminou com uma roda de capoeira puxada pelos capoeiristas ao som do canto Quando Eu Venho de Luanda, e contou com a participação do público.

Há 26 anos atuando com com crianças, jovens e adolescentes de 8 a 25 anos, em situação de vulnerabilidade social, a ONG mudou a vida de Matheus Luis, que desde os 9 anos integra o Projeto. A rua era a antiga morada do garoto de 14 anos. “Eu vivia na rua e ficava pertubando com os meninos. Depois entrei na Fundação Cidade Mãe e eles me enviaram pro Projeto Axé. Aí a minha vida mudou”.

 

 

Extraído do site do Jornal Correio 24hs / Salvador 0 BA
http://www.correio24horas.com.br/detalhe/24h/noticia/projeto-axe-faz-primeira-festa-publica-de-louvor-a-oxala-e-senhor-do-bonfim/?cHash=ebabb89c2013cc1a6fbfcbf4bb0c319c

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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