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Projeto de espaço para rituais religiosos na Floresta da Tijuca será retomado

Local se tornou ponto tradicional de oferenda de religiões de matriz africana

12/04 às 12h06 – Atualizada em 12/04 às 12h08

 

O projeto de urbanizar o local conhecido  como Curva do S, no Parque Nacional da Tijuca, no Rio, para transformá-lo oficialmente em um ponto de oferenda religiosa será retomado pela Secretaria de Estado do Ambiente. O anúncio foi feito pelo secretário Carlos Portinho, empossado recentemente, depois de o projeto ter sido paralisado com a troca de comando na pasta, em fevereiro, quando assumiu Índio da Costa. O local, ao lado da Avenida Edson Passos, no Alto da Boa Vista, já é um ponto tradicional de oferenda de religiões de matriz africana.

O deputado estadual Carlos Minc, ex-secretário do Ambiente, explica que o projeto do Espaço Sagrado da Curva do S é fruto de oito anos de conversas com representantes das religiões afro-brasileiras, que levaram à criação do Decálogo das Oferendas, texto voltado para a educação ambiental e religiosa, tendo em vista o risco ambiental que oferendas podem causar, devido ao uso de elementos como velas, carcaças de animais, garrafas de vidro e potes de barro. De acordo com ele, o projeto foi paralisado por questões políticas.

“Três dias depois de tomar posse, o secretário Índio me disse que iria acabar com o projeto porque foi pedido por dois deputados evangélicos, que disseram que seria absurdo que dinheiro público financiasse um “macumbódromo”, ficou estigmatizado. Expliquei o que era e pedi que fosse reconsiderado, a gente quer a paz e não podemos travar uma guerra religiosa dentro da Secretaria de Ambiente”.

Portinho nega que tenha havido polêmica religiosa no processo e lembra que havia dúvida quanto à ligação do projeto com a questão ambiental, que foi esclarecida após uma reunião com representantes do grupo de combate à intolerância religiosa.

“Quando assumimos, procuramos entender onde isso se encaixava em uma questão ambiental, porque tendo um viés ambiental, é de nosso total interesse avaliar e seguir à frente com o projeto. Nessa reunião, foi muito esclarecedor, porque foi explicado que as oferendas muitas vezes colocavam em risco a vegetação da mata, com a possibilidade de queimada”.

De acordo com o secretário, o projeto está em fase de elaboração do desenho arquitetônico, a cargo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que deve ser entregue até o fim do mês. Para o coordenador da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, Ivanir dos Santos, o Espaço Sagrado da Curva do S pode ter um impacto em todo o país e servir de modelo de respeito às religiões que têm a natureza como sagrada, não só as de matriz africana.

“É muita má vontade dizer que é ‘macumbódromo’, até ignorância, porque macumba não é religião, é um instrumento. Segundo, isso é um preconceito, uma discriminação e um estigma que colocaram em nossa religião. A única diferença que temos das outras religiões é que fazemos o que está nos primórdios, no livro antigo dos hebreus: fazemos oferenda. Essa é a primeira relação do homem com o sagrado”.

A questão foi debatida em uma audiência pública na Comissão de Combate às Discriminações e aos Preconceitos de Raça, Cor, Etnia, Religião e Procedência Nacional, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj).

Extraído do Portal de Notícias Jornal do Brasil

http://www.jb.com.br/rio/noticias/2014/04/12/projeto-de-espaco-para-rituais-religiosos-na-floresta-da-tijuca-sera-retomado/

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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