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Quase 1.000 casos de intolerância religiosa foram registrados no Rio em 2 anos

Em junho, menina de 11 anos foi apedrejada ao deixar um culto de candomblé

 

Do R7, com Agência Brasil e Agência Estado | 18/8/2015 às 19h01 (Atualizado em 18/8/2015 às 19h02)

 

Em junho, menina foi apedrejada na saída de cerimônia religiosaReprodução / Facebook
Em junho, menina foi apedrejada na saída de cerimônia religiosaReprodução / Facebook

Quase 1.000 casos de intolerância religiosa foram registrados pelo Ceplir (Centro de Promoção da Liberdade Religiosa & Direitos Humanos) no estado do Rio de Janeiro, em dois anos e meio. Entre julho de 2012 e dezembro de 2014, foram registradas 948 queixas. As denúncias envolvendo intolerância contra religiões afro-brasileiras totalizaram 71% dos casos.

Os dados estão em um relatório preliminar divulgado nesta terça-feira (18) pela organização não governamental CCIR (Comissão de Combate a Intolerância Religiosa), em audiência pública na Alerj (Assembleia Legislativa do Estado).

Outro dado mostrado pelo relatório é que, de janeiro de 2011 a junho de 2015, o Disque 100 da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República recebeu 462 denúncias sobre discriminação religiosa.

O documento também mostra que a intolerância religiosa virtual vem ganhando destaque nos registros das denúncias, o que demanda a atenção das autoridades para caracterizar juridicamente as situações apresentadas e definir as devidas punições aos infratores.

Presente à audiência, o deputado estadual Átila Nunes destacou a importância de se ter uma delegacia especializada no combate à intolerância, devido à grande dificuldade de registro dos casos de discriminação religiosa em delegacias policiais.

— Quase todo mês temos flagrantes de perseguição religiosa. O que temos no Rio de Janeiro é quase um pequeno Estado Islâmico. Hoje, eu só acredito na força da lei através da criação de uma delegacia especializada para esses casos e na ação da Polícia Civil contra os fanáticos.

Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, Marcelo Freixo, os crimes de ódio têm de ser enfrentados e é preciso pensar em formas preventivas. Para ele, falta vontade política para combater esses crimes.

— É importante que os boletins de ocorrência tenham um espaço para deixar claro que o crime tenha alguma motivação de intolerância religiosa.

Menina apedrejada

Uma menina de 11 anos foi ferida por uma pedra na cabeça ao deixar um culto de candomblé na Penha, zona norte do Rio de Janeiro, no dia 15 de junho. Segundo testemunhas, a menina foi atacada por evangélicos e foi vítima de intolerância religiosa. Com a pedrada, a jovem chegou a desmaiar e perder momentaneamente a memória.

A ocorrência foi registrada na Delegacia de Brás de Pina (38ª DP) como lesão corporal e prática de discriminação religiosa. Policiais buscam câmeras da região que tenham flagrado o crime.

Os autores da pedrada, que seriam dois homens, conseguiram fugir. Pouco antes da agressão, eles teriam xingado e provocado os adeptos do candomblé que estavam com a menina.

Extraído do portal R7
http://noticias.r7.com/rio-de-janeiro/quase-1000-casos-de-intolerancia-religiosa-foram-registrados-no-rio-em-2-anos-18082015

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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