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Record usa pai de santo para divulgar Os Dez Mandamentos

Daniel Castro / NoticiasdaTV 14 Janeiro de 2016 – 12:34

 

211122_ext_arquivoNo esforço de marketing para transformar a novela Os Dez Mandamentos em um fenômeno nos cinemas, a Record e a Igreja Universal do Reino de Deus quebraram um “dogma”. A emissora, controlada pela igreja, está usando nas redes sociais vídeos de praticantes de umbanda e candomblé e até a imagem de Nossa Senhora de Aparecida para promover o longa-metragem que sintetiza a saga de Moisés, em exibição a partir do dia 28 em cerca de 1.000 salas do país. Até ontem, já tinham sido vendidos mais de 1,5 milhão de ingressos, segundo divulgou a emissora.

Umbandistas e candomblecistas sempre foram endemonizados pelos bispos e pastores da Igreja Universal. Em 1987, Edir Macedo escreveu o livro Orixás, Caboclos e Guias: Deuses ou Demônios?. Até hoje, nos cultos da Universal os pastores se referem a pais de santo como “pais de encosto”. Nos anos 1990, a igreja chegou a estimular fiéis a invadir e destruir terreiros. Contra os católicos, a Universal também tem um passado belicoso. Em 12 de outubro de 1995, um pastor apareceu na Record chutando uma imagem de Nossa Senhora de Aparecida. Virou um escândalo nacional.

Pelo sucesso de Os Dez Mandamentos, no entanto, essas diferenças ficaram para trás. Ontem, a Record publicou em seu perfil oficial no Instagram um vídeo de uma mulher que se diz católica afirmando que vai assistir ao longa-metragem. Ela aparece segurando uma imagem da santa outrora “chutada” .

Pais de santo deixaram de ser um encosto _pelo menos momentaneamente. Também no Instagram da Record, um deles surge vestindo uma camiseta com a imagem de São Jorge, santo “maldito” para os fiéis da Universal. “Sou candomblecista, sou do axé de Ketu. Sou filho de Xangô. E eu também vou assistir ao filme Os Dez Mandamentos”, diz o religioso.

Uma outra praticante do candomblé gravou um vídeo amador em que está caracterizada de baiana, de vestido longo branco, dançando e rodando. Ela se idenfica como Rose, de São Joaquim da Barra (SP). “Quero assistir a Os Dez Mandamentos. Sou do candomblé”, diz. O perfil oficial da Record  comemora: “O cadomblé marcando presença nas salas de cinema”.

Uma cartomante também virou instrumento de marketing da emissora. “Meu nome é Fátima, eu sou da umbanda e sou cartomante. E vou assistir Os Dez Mandamentos”, promete.

Os vídeos dos praticantes de candomblé e umbanda dividem espaço com material produzido por quase todos os atores e apresentadores da Record. De Xuxa Meneghel a Gugu Liberato, passando por Paulo Henrique Amorim e âncoras de telejornais regionais, quase todo o elenco da Record foi mobilizado para o lançamento do filme. Xuxa, em férias no exterior, convida os fãs a reverem a abertura do Mar Vermelho. Gugu vai mais longe: “Já garanti meu ingresso”, diz.

Também há alguns vídeos de pastores evangélicos de “concorrentes” da Universal, como a Comunidade Cristã Recomeçar e a Aliança Profética.

O filme Os Dez Mandamentos nada mais é do que uma versão condensada da novela, exibida entre março e novembro. De inédito, o longa terá apenas o final, que foi negado aos telespectadores.

Clique aqui e confira os vídeos no Instagram da Record.

 

 

Extraído do site do Jornal Tribuna Hoje / Maceió – AL
http://www.tribunahoje.com/noticia/166939/entretenimento/2016/01/14/record-usa-pai-de-santo-para-divulgar-os-dez-mandamentos.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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