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Rei nigeriano faz visita à Pedra de Xangô

 

Meire Oliveira | Qui, 31/07/2014 às 23:22 | Atualizado em: 01/08/2014 às 08:25

Uma das 38 esposas do rei entoou cântico sagrado dedicado a ele em visita ao Terreiro do Gantois
Uma das 38 esposas do rei entoou cântico sagrado dedicado a ele em visita ao Terreiro do Gantois
Marco Aurélio Martins | Ag. A TARDE

 

A  Pedra de Xangô – situada no bairro de Cajazeira X – será o primeiro espaço alvo da Lei do Tombamento sancionada pelo prefeito ACM Neto em janeiro deste ano. O anúncio foi feito durante visita do rei do Império de Oyó, Lamidi Olayiwola Adeyemi III, ao local, na tarde desta quinta-feira, 31.

“Até o final deste ano, devemos concluir a regulamentação da lei e o tombamento da Pedra de Xangô, que será o primeiro sítio tombado. A área reúne um patrimônio material e imaterial e a proposta é intervir o mínimo. É um bem que deve ser cuidado”, disse o presidente da Fundação Gregório de Mattos, Fernando Guerreiro.

A atividade encerrou o 1º Seminário para Preservação do Patrimônio Cultural Compartilhado entre o Brasil e a Nigéria.

“Esse anúncio é a prova da força de Xangô e da nossa união, que permanece mesmo com a distância. É prova que a justiça que esperamos será realizada. Nossa tradição nunca morrerá, pois somos um só povo que edifica a tradição africana”, disse o rei do Império de Oyó.

“Sinto alegria e alívio por saber que uma ação prática para a preservação da pedra está mais próxima. O tombamento da pedra e do seu entorno irá garantir a continuidade dos ritos que ocorrem aqui por conta da relação com Xangô”, afirmou a presidente da Associação dos Terreiros de Candomblé de Águas Claras, Cajazeiras e Adjacências Pássaros das Águas, Mãe Iara de Oxum, do Terreiro Ilê Tomin Kiosisé Ayó.

A parceria entre a Associação Religiosa de Cooperação entre Terreiros (Ardecente) e a Pássaro das Águas tem a meta de incluir a Caminhada da Pedra de Xangô no calendário oficial da cidade.

“A proposta é fazer ritos como a Fogueira de Xangô na região e assegurar que a mão de obra das intervenções na área seja de pessoas da religião por entender que o espaço é sagrado e exige conhecimento específico para o manejo”, contou a coordenadora geral da Ardecente. A entidade tem o propósito fornecer consultoria jurídica gratuita na formalização dos templos e organização fundiária.

Agradecimento

Em homenagem ao Alaafin de Oyó, nomenclatura para o rei do antigo Império de Oyó, foi descerrada uma placa registrando sua passagem pelo local, pelo Conselho Municipal das Comunidades Negras (CMCN) e Secretaria Municipal da Reparação (Semur).

“Essa harmonia que ele trouxe, reunindo aqui religiosos de várias nações só fortalece nossa luta para preservação das áreas de referência da nossa cultura”, disse o presidente do CMCN, tata Eurico Alcântara.

O rei Lamidi Olayiwola Adeyemi III também vai levar para a Nigéria uma réplica da Pedra de Xangô – entregue por Mãe Iara- e um oxê, um  machado de duas lâminas e um dos instrumentos que simbolizam o orixá Xangô.

O presente foi produzido pela designer de joias e artista plástica Andréa Barbosa. “É uma homenagem ao rei com o símbolo mais emblemático de Xangô para que essa energia siga com ele e sua comitiva no retorno à Nigéria”.

 

 

Extraído do Portal A Tarde

http://atarde.uol.com.br/bahia/salvador/noticias/rei-nigeriano-faz-visita-a-pedra-de-xango-1610727

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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