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Relatório denuncia deterioração da liberdade religiosa no mundo

(13 nov) Igreja atacada em Samarinda, Indonésia - AFP AFP
(13 nov) Igreja atacada em Samarinda, Indonésia – AFP
AFP

15.11.16 – 12h34

A organização católica Ajuda à Igreja Necessitada (AIN) denunciou nesta terça-feira uma deterioração da liberdade religiosa no mundo entre 2014 e 2016, principalmente em 38 países, onde registrou graves discriminações ou perseguições.

Esta fundação internacional de direito pontifical, que analisou a situação de 196 países entre junho de 2014 e junho de 2016, aponta em um relatório a existência de perseguição religiosa grave em 24 países, como Indonésia e Líbia, e discriminação em outros 14, incluindo Irã e Ucrânia.

Foi mantido o status quo em 21 dos 38 países que geram maior preocupação, e uma melhora em três: Butão, Egito e Catar.

Em sete países (Afeganistão, Iraque, Nigéria, Coreia do Norte, Arábia Saudita, Somália e Síria), a situação “já era tão ruim que, dificilmente, poderia piorar”, assinala o documento.

Em 14 países, ou um terço das nações onde há problemas, “a situação piorou sensivelmente desde 2014”, segundo a AIN.

Este é o caso de Bangladesh, país de maioria muçulmana onde “os grupos religiosos minoritários são alvos, com 48 assassinatos em 18 meses”; do Sudão, onde a fundação católica denuncia a “prisão de ministros de culto e o confisco de terras da Igreja”, e da Argélia, onde indica que “houve condenações e prisões, em várias localidades, de pessoas que não respeitam o ramadã”, mês de jejum muçulmano.

Esta deterioração global se deve a um fenômeno que a AIN classifica de “hiperextremismo islamita”, que inclui uma “radicalização exacerbada” e um “aumento considerável dos ataques”.

– Impacto na crise migratória –

Desde junho de 2014, “ocorreram ataques islamitas em um em cada cinco países do mundo”, contabiliza o documento.

No Oriente Médio, embora não seja a única região afetada, “foi onde ocorreram os maiores ataques”, assinala Marc Fromager, diretor da AIN na França.

“Os ataques contras cristãos, yazidis e outras minorias pela organização Estado Islâmico e outros grupos fundamentalistas violam a Convenção da ONU para a Prevenção e Sanção do Crime de Genocídio”, assinala o relatório.

Entre as consequências deste extremismo está “o aumento substancial e repentino” do número de refugiados. Em 2015, foi registrado um recorde de 65,3 milhões de deslocados no mundo, o que corresponde a um aumento de 5,8 milhões, segundo cifras das Nações Unidas.

Embora os principais responsáveis pela perseguição religiosa sejam grupos como EI e Boko Haram, a organização aponta “uma nova onda de repressão”, que emana de regimes autoritários, como Turcomenistão e China, onde a AIN denuncia a “destruição de cruzes em 2 mil igrejas”.

Na Eritreia, “pelo menos 3 mil cristãos estão presos devido a sua religião”, segundo a organização.

Nenhum país da Europa – à exceção da Ucrânia, onde a igreja aponta ameaças em regiões pró-Rússia – figura na lista de 38 países na mira da AIN. A organização destaca, no entanto, o “recrudescimento de atos antissemitas” em países como a França.

A América Latina tampouco figura na lista, mas a organização expressa preocupação com a situação no México, que registra o maior número de ataques a curas no continente. Naquele país, os casos de “discriminação e intolerância” motivados por religião não param de aumentar, segundo a organização.

A Argentina é o país da América Latina onde se registra a maior integração de pessoas de diferentes religiões. O documento também dá conta de avanços na Colômbia, “onde o número de assassinatos de curas diminuiu”.

 

Extraído do site da Revista Isto É / São Paulo – SP
http://istoe.com.br/relatorio-denuncia-deterioracao-da-liberdade-religiosa-no-mundo/

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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