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Religiões afro-brasileiras se queixam de falta de espaço para cultos

Religiões esperam a construção do Vale dos Orixás

Geisy Garnes | 13/05/2015 17h03 - Atualizado em 14/05/2015 08h47  
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Na cachoeira é possível achar objetos usados nos cultos (Foto: Luiz Alberto)
    Vindo da África com os negros escravos, o candomblé se ‘uniu’ ao catolicismo para se tornar umbanda. Os cultos e costumes dessa religião voltaram a ser notícia após a morte de Lucimeire Rocha Cabral da Silva, de 46 anos, na manhã de domingo (3), na ‘Cachoeira da Macumba’, localizada na área norte de Campo Grande. A vítima e um grupo de 30 pessoas foram até o local para realizar batismos de iniciação para novos médiuns. Mas só na hora de ir embora o grupo notou a falta da mulher, que foi encontrada em uma vala, morta. A principal suspeita é de que ela tenha escorregado e, na queda, quebrado o pescoço. O incidente, que está sendo investigado pela polícia, revelou a falta de espaço para que os grupos possam realizar seus cultos de segura e ‘legal’. A natureza, segundo o babalorixá Lucas de Odé, sacerdote do candomblé e dirigente do axé Dambá Odé, é a forma como as religiões afro-brasileiras se relacionam com Deus. É por ela que são feitos batismos, cultos, orações e por isso espaços como cachoeiras e matas são importantes para os cultos. Esses locais são escolhidos aleatoriamente, considerando os recursos naturais e acesso. Na prática correta, todos os objetos que não se decompõem na natureza são recolhidos, restando apenas grãos e alimentos, “até porque esses resíduos têm uma finalidade ritualista de formar um circo, de fertilização do solo”, lembra Lucas. “A grande dificuldade que nos temos em Mato Grosso do Sul é ter um local adequado a nossas práticas religiosas, locais que precisam ter acesso à natureza, mata, cachoeira, pedreira, onde realizamos adoração a Deus”, explica o babalorixá. No fim de 2013 foi aprovado o projeto para a criação do Vale dos Orixás, local específico para os cultos afro-brasileiros e ameríndios. O valor de R$ 500 mil só precisava da sanção do prefeito para ser liberado, o que até agora não aconteceu. “Todo mundo de alguma maneira tem seus espaços, menos a gente, que sempre encontra as portas fechadas”, destaca o sacerdote Irbs Santos, presidente da Fecams (Federação de Cultos Afro-Brasileiros e Ameríndios de Mato Grosso do Sul). Ainda conforme o presidente, há 5 anos na frente da federação, o Vale dos Orixás é uma luta constante. Sem apoio da Prefeitura, a Fecams busca ajuda no governo do Estado e de vereadores, para enfim conseguir um local sagrado para os cultos religiosos. Desmistificando Originalmente da África, o candomblé veio para o Brasil nos navios negreiros, com os escravos. Já em solo brasileiro, proibidos de expressar sua religião, passaram a ‘ligar’ os santos católicos com de seus orixás, o que com o passar dos anos originou a umbanda, a única religião 100% brasileira. Entre os muitos cultos, a sacramentação, que é considerada por muitos como sacrifício de animais, é o que chama mais a atenção. Nas palavras do presidente da Fecams, o culto é milenar da cultura afro-brasileira e só é realizado em ocasiões especiais. “Geralmente nas iniciações de candomblé é oferecido aos orixás esse tipo de agrado, em certos casos de doenças também é usado, mas isso é feito com muito critério, não de maneira aleatória. Somente pessoas iniciadas e devidamente preparadas podem realizar”, explica Irbs.  
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Muitos mantêm o hábito de recolher o ‘lixo’ (Foto: Luiz Alberto)
 
Em outros pontos da cidade também é possível encontrar vestígios dos cultos (Foto: Luiz Alberto)
Em outros pontos da cidade também é possível encontrar vestígios dos cultos (Foto: Luiz Alberto)
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Na cachoeira é possível achar objetos usados nos cultos (Foto: Luiz Alberto)
  Extraído do site do Jornal Diário de Mato Grosso do Sul / Campo Grande - MS http://www.midiamax.com/cotidiano/257828-religioes-afro-brasileiras-se-queixam-falta-espaco-cultos.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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