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Religiosos condenam atos de intolerância

 

Postado por: Extra.globo.com em Brasil 04/09 5:25

 

RIO — Os recentes casos de intolerância religiosa no Rio, como o do aluno barrado por usar guias de candomblé e o da confusão no 5º Juizado Especial Cível, estariam sendo praticados por indivíduos ou grupos minoritários que acabam ferindo os princípios básicos das crenças que buscam representar. Esse é um consenso entre vários religiosos, que afirmam que falta a muitas pessoas o entendimento do Brasil como um estado laico. O interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, babalaô Ivanir dos Santos, lembra que a violência contra praticantes das religiões africanas não é novidade:

— A umbanda e o candomblé passaram por muitos momentos de repressão ao longo de sua história, por diferentes grupos religiosos. Porém, hoje, nssa capacidade de reação é maior do que no passado.

‘NÃO PODEMOS GENERALIZAR’

O umbandista lembra que, em 2008, evangélicos da igreja Geração Jesus Cristo invadiram o Centro Espírita Cruz de Oxalá, no Catete, e depredaram várias imagens. Na ocasião, quatro foram presos por vandalismo. Os responsáveis por assediar o delegado Henrique Pessoa durante audiência, nesta quarta-feira, são da mesma igreja. Segundo Ivanir, integrantes da comissão têm sofrido constantes assédios por parte de evangélicos desse grupo.

— Não podemos generalizar. Sabemos que é uma minoria dentro dos grupos evangélicos, mas é inegável que há lideranças fomentando um clima ruim e incentivando a ação desses radicais. São fascistas, isso fica evidente pelas próprias camisas, que dizem “Bíblia sim, Constituição não” — avalia Ivanir.

Para o pastor da Igreja Presbiteriana Betânia em Niterói, Teo Elias ações como as da diretora de uma escola municipal que impediu um aluno de entrar com vestes de umbanda na unidade exibem a falta de entendimento a respeito das normas que devem ser seguidas em colégios:

— É importante haver uma neutralidade no que diz respeito à religião em espaços públicos. A polêmica não é só nossa, todos precisam se adaptar. Na França, por exemplo, o problema também existe, mas lá o preconceito recai sobre os muçulmanos.

O presidente da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro, Jaime Salim Salomão, avalia que a integração de diferentes religiões dentro da sociedade pode gerar atritos. Para ele, deve ser feito um trabalho constante de comunicação:

— É preciso mostrar à comunidade que todas as religiões têm um papel a ser cumprido dentro da sociedade. Queremos integrar, mas sem eliminar nenhuma religião.

Notícia postada originalmente pelo Jornal Extra

Extraído do site Boa Informação

http://boainformacao.com.br/2014/09/religiosos-condenam-atos-de-intolerancia/

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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