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Religiosos de matriz africana fazem oferendas à Iemanjá na orla de Maceió

Fiéis de diversos municípios do estado celebram o Dia de Iemanjá. Celebrações fazem parte do calendário festivo da capital alagoana.

Do G1 AL | 08/12/2014 13h13 – Atualizado em 08/12/2014 13h24

 

 

Desde o início da manhã desta segunda-feira (8) a orla de Pajuçara, em Maceió, é palco de homenagens à Iemanjá. Os cultos oferecidos à Rainha do Mar, pelos grupos ligados às religiões de matriz de africana, que seguem até o final da tarde já viraram tradição na capital alagoana.

Caravana do Centro Espírita Ilê Axé de Iemanjá realiza ritual e entrega oferendas aos orixás, como Iemanjá, Ogum e Xangô. (Foto: Naftali de Oliveira/G1)
Caravana do Centro Espírita Ilê Axé de Iemanjá realiza ritual e entrega oferendas aos orixás, como Iemanjá, Ogum e Xangô. (Foto: Naftali de Oliveira/G1)

Caravanas de grupos religiosos chegaram de diversas partes do estado para celebrar a data religiosa na orla de Maceió. Este foi o caso de Maria Umbelino da Conceição Santos, 63, que mora na cidade de Atalaia. Ela, que há 23 anos é mãe de santo no Centro Afro Santa Bárbara, veio em uma caravana com 23 pessoas e trouxe oferendas que têm um significado especial. “Eu sempre trago meus filhos. Nosso centro está aqui para agradecer por tudo de bom que Iemanjá nos dá. Trouxemos flores, perfumes, sabonetes, comida, tudo para representar nosso amor por ela”, falou.

 

Segundo José Edson dos Santos, oferendas serão lançadas ao mar (Foto: Paula Nunes/G1)
Segundo José Edson dos Santos, oferendas serão lançadas ao mar (Foto: Paula Nunes/G1)

Nos rituais, alguns grupos religiosos celebram outros orixás além de Iemanjá, como é o caso dos integrantes do Centro Afro São João Batista, liderado pelo pai de santo José Edson dos Santos, 43. “Em nossas oferendas estamos prestando reverência à Iemanjá, representada pelos elementos de cor azul, e à Oxum, representada pelos elementos de cor amarela. Tudo está colocado junto em um só cesto que será levado ao mar”, disse.

 

Para o umbandista, que chegou na Orla de Pajuçara às 08h, com um grupo de 20 integrantes vindos do município de Viçosa, falta respeito e apoio da população e do governo estadual e municipal às manifestações das religiões de matriz africana. “Nós não temos apoio de ninguém. Para virmos de nossa cidade até a capital tivemos de fretar um ônibus com nossos próprios recursos financeiros. O governo nunca nos ajudou. Infelizmente, até a população é preconceituosa. Muitos não nos respeitam. Eu gostaria que isso acabasse”, contou.

 

O pai de santo Jailson Cavalvante, 33, viajou 156 Km, de Angelim, no estado de Pernambuco, até   a capital alagoana. Com um grupo de 22 integrantes, do Centro Espírita Ilê Axé de Iemanjá, o pai Jailson de Oxalá realizou ritual e prestou várias oferendas aos orixás, como Iemanjá, Ogum e Xangô.

 

 Festejos de grupos de matriz africana prosseguem até o fim do dia (Foto: Naftali de Oliveira/G1)

Festejos de grupos de matriz africana prosseguem até o fim do dia (Foto: Naftali de Oliveira/G1)

Para ele, Maceió oferece as melhores condições estruturais e receptivas para a realização dos cultos. “Há cinco anos que nosso centro vem fazer as oferendas aos orixás em Maceió. Aqui, nós temos mais liberdade de culto às entidades, e contamos com mais estrutura para acessar o mar e acomodar nossos materiais, que são muitos, como alimentos, brinquedos, perfumes, balaios e flores”, falou.

As celebrações, que ocorrem em um dos principais cartões postais da cidade, chamam atenção de vários turistas que circulam por Pajuçara. Para o médico veterinário e turista baiano Marcos Souza, 40, as oferendas têm um significado especial. “Há três anos, vim a Maceió fazer um concurso público e ao caminhar pela orla me deparei com as manifestações religiosas em homenagem à Iemanjá. Fiquei encantado. A partir de então, passei a fazer minhas oferendas lá em Salvador, no mês de fevereiro. Como estou de férias em dezembro, coincidiu que estivesse aqui na cidade para os festejos”, disse.

 

Grupo de Pernambuco vem a Maceió para celebrar dia de Iemanjá (Foto: Paula Nunes/G1)
Grupo de Pernambuco vem a Maceió para celebrar dia de Iemanjá (Foto: Paula Nunes/G1)

Já a funcionária pública Elena dos Santos, 56, que veio com um grupo de amigas da cidade de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, se disse surpresa com a realização de celebrações religiosas na praia. “Eu nunca vi celebrações assim, principalmente na praia de uma cidade turística. Sou católica e achei tudo muito colorido, bonito e novo”, contou.

A garçonete Cláudia Lopes, 40, aproveitou a movimentação que a cada dia oito de dezembro se torna vendedora ambulante  de artigos como balaios, flores, perfumes, entre outros itens que servem de oferendas, contou que sua família não sabe que ela presta suas oferendas à Iemanjá e que frequenta, eventualmente, alguns centros de xangô. “Minha família não sabe que eu frequento terreiros, nem que eu vendo oferendas em datas especiais. Mas eu sempre dou um jeito de vir prestar minha homenagem, agradecer e fazer meus pedidos à Rainha do Mar. Hoje, eu tive de dizer que iria para um outro compromisso, tudo para que eles não me julguem”, falou.

 

Extraído do Portal de Notícias G1/Maceió-AL
http://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2014/12/religiosos-de-matriz-africana-fazem-oferendas-iemanja-na-orla-de-maceio.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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