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RESENHA: AIMÓ – UMA VIAGEM PELO MUNDO DOS ORIXÁS, REGINALDO PRANDI

LITERATURARESENHASpor ANDRÉ DANIEL em 6 DE NOVEMBRO DE

 

Imagem: Companhia Das Letras

Imagine se encontrar, de uma hora para a outra, em um mundo totalmente desconhecido onde você não conhece ninguém e ninguém demonstra saber quem você é. É o que acontece com uma menina nascida na África e levada para o Brasil para ser escrava, e que de repente acorda em um lugar estranho, habitado pelos deuses orixás e pelos espíritos dos mortos que aguardam o momento de seu renascimento. Ela não sabe mais o próprio nome nem lembra de sua família – está sozinha e não tem a quem pedir socorro. Por isso, aliás, ganha o nome Aimó, “a menina que ninguém sabe quem é”. Tudo o que ela quer é retornar ao seu mundo de origem, mas para tornar isso possível, Aimó vai partir em uma longa jornada através dos tempos mitológicos, guiada por Exu e Ifá, e vai acompanhar de perto muitas aventuras vividas pelos orixás. Só assim poderá reunir o conhecimento necessário para fazer uma escolha que lhe permita, enfim, voltar para casa.

A leitura de “Aimó” chegou para mim em um momento bastante interessante, pois estava sedento para me encantar com um uma obra nacional e conhecer um escritor refinado com uma bagagem de conhecimentos a ser compartilhada. Foi nessa obra que conheci a escrita do autor e sociólogo Reginaldo Prandi  que encanta com sua biografia repleta de obras que envolvem as religiões afro-brasileiras, assunto tão importante a ser difundido no Brasil para crianças e adultos.

Nesse livro somos apresentados a Aimó, uma garota africana que foi escrava no Brasil e faleceu antes de virar adulta. Após sua morte, ela acorda em um mundo diferente, habitado pelos deuses orixás e pelos espíritos dos mortos que aguardam o seu renascimento, além disso, a menina não é capaz de lembrar de sua história, tampouco de seu nome e família. Ninguém a conhece, ninguém sabe de onde ela veio, por isso, ganhou o nome de “Aimó”, que significa “a menina que ninguém sabe quem é”.

O maior desejo de Aimó é retornar para o seu lugar de origem, porém para realizar essa difícil missão precisará partir em uma aventura pela mitologia, guiada pelos orixás Exu e Ifá que vão transmitir o conhecimento necessário para que a menina descubra as tradições do candomblé e finalmente escolha uma mãe de cabeça para si, para poder renascer.

Com isso, mergulhamos na história e conhecemos tradições de diversos povos antigos, descobrimos as antigas religiões africanas que originaram o candomblé e acompanhamos o crescimento da relação de Aimó com os orixás que ficam fascinados com o quanto ela é inteligente e interessada nas histórias que estão transmitindo.

Capa do livro “Aimó” lançado pela Editora Companhia das Letras, no selo “SEGUINTE”.

A leitura é repleta de informações e tem a capacidade de nos levar para lugares únicos, além de que, é tão explicativa que não há a necessidade de ter conhecimentos prévios sobre os temas abordados para compreender a história, tudo acaba se tornando tão fascinante e agregador que nos move para terminar o livro e ter a sensação que devemos ainda fazer uma pesquisa sobre os assuntos da obra.

Prandi nos traz uma leitura que surpreende e que provavelmente é diferente do que você está acostumado a ler. É uma obra com um formato incrível e possibilita ao seu leitor conhecer mais da complexa cultura africana e consequentemente de te ligar mais ao Brasil. Durante a leitura, me recordei do livro de Jostein Gaarder, O Mundo de Sofia, que também traz uma narrativa interessante com doses de aprendizado, que pode ser uma outra dica de leitura para você depois que terminar de ler Aimó.

TÍTULO: Aimó – Uma viagem pelo mundo dos orixás 
AUTOR: Reginaldo Prandi 
PUBLISHER: Editora Paralela 
PÁGINAS: 200 

 

 

Extraído do blog Beco Literário
https://becoliterario.com/resenha-aimo-uma-viagem-pelo-mundo-dos-orixas-reginaldo-prandi/

 

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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