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Rio: Audiência pública na Alerj vai discutir intolerância religiosa com Freixo e Beltrame

Deputado federal e secretário de Segurança Pública do Rio irão falar sobre discriminação

Jornal do Brasil

 

15/08 às 15h18

 

Muito se falou do caso Kailane Campos, menina de 11 anos, que foi vítima de intolerância religiosa, dia 14 de Junho, no Subúrbio do Rio, e ainda nessa frente, o interlocutor da CCIR (Comissão de Combate a Intolerância Religiosa) Babalawo Ivanir dos Santos, apresenta um documento, que tem por objetivo evidenciar situações de preconceito, discriminação, violência verbal e física inseridas no campo da intolerância religiosa no Brasil. E a partir dos casos relatados, estudos, pesquisas, entre outros modos, contribuir para a implantação do Plano Nacional de Liberdade Religiosa.

O Relatório centraliza-se no desafio da Intolerância Religiosa, apresentando as diferentes visões das instituições que integram a CCIR.

A pesquisa está pautada em dez documentos elaborados entre 2004 a junho de 2015, encaminhados a CCIR com o objetivo de mostrar a intolerância religiosa como um processo histórico no Brasil e no mundo. Para isso, foram selecionados casos obtidos em registros administrativos, narrativas, depoimentos, entrevistas, notícias e mídias impressa e virtual. As unidades espaciais vão desde a escala local, municipal, estadual, regional e nacional.

José Mariano Beltrame (ao centro) em reunião da Comissão Estadual de Segurança Pública para os Jogos Olímpicos Rio 2016
José Mariano Beltrame (ao centro) em reunião da Comissão Estadual de Segurança Pública para os Jogos Olímpicos Rio 2016

Como metas:

– Explicitar os diversos casos de intolerância religiosa;

– Tornar público a necessidade de uma intervenção no processo;

– Contribuir para a defesa da garantia dignidade de ser da pessoa humana;

– Expandir o debate relativo à pluralidade religiosa e a liberdade de culto no país;

– Contribuir para construção de bases de dados, compatibilizando as diversas fontes de informação sobre o desafio da liberdade religiosa;

– Criar possibilidades para o diálogo multi-religioso no país.

Apontamos casos que mais chamam atenção: Em 2015, em pleno século XXI, no RJ, uma pedrada atinge uma menina, pelo simples motivo de está com vestuário de camdomblé, ou seja, vestida toda de branco.

Caso AABB – No interior do Clube AABB Lagoa, realizavam-se as Macabíadas (jogos olímpicos que reúnem clubes e colégios judaicos de todo o país). Numa das dependências do clube onde havia um aparelho de televisão, um sócio do clube, descontente com a locação para a comunidade judaica, travou uma agressiva discussão com um grupo de crianças vindas de SP em razão da discordância quanto ao canal que desejava assistir. Nesta discussão, o Querelado proferiu ofensas de cunho antissemita contra as crianças, chamando diversas vezes de “judeus filhos da puta”” e dizendo “eu sou muçulmano e odeio vocês!” e “vocês têm que morrer!”.

Outro caso – Uma semana após o assassinato dos cartunista francês Charlie Hebdo, a professora de teatro Sarah Ghuraba, muçulmana de 27 anos, caminhava para a consulta médica quando levou uma pedrada na perna. Junto ao ataque físico veio o verbal: “muçulmana maldita!”, disse o desconhecido, que a atacou somente por ser muçulmana e, logo em seguida, fugiu correndo. Ao relatar o caso no Facebook, para alertar outras muçulmanas para que tivessem cuidado, recebeu algumas mensagens solidárias, mais várias outras ofensivas: “falaram que eu deveria ter levado um tijolo na cabeça e outros prometeram terminar o trabalho. É assustador. Será que uma muçulmana brasileira precisa morrer para entenderem que existe islamofobia no Brasil? (…)”

Em 21 de janeiro de 2009 – a Ialorixá Gildásia dos Santos (Mãe Gilda), faleceu de infarto fulminante ao ver sua foto estampada na capa do Jornal Folha Universal, com o título: Macumbeiros Charlatões lesam o bolso e a vida de clientes.

Caso Ana Amélia Mello Franco – A Federação Israelita do Rio de Janeiro ingressou com uma notícia-crime perante o Ministério Público Federal contra a então candidata a deputada estadual Ana Amélia Mello Franco, pelo Partido Popular Socialista (PPS), em virtude de postagens antissemitas feitas em seu perfil pessoal na rede social Facebook, entre os dias 24 e 28/07/2014.

Caso Jornalista Pedro Costa (data…) – moradores de condomínios vizinhos, na Barra da Tijuca, envolvidos em uma controvérsia em torno do uso de uma servidão de acesso à praia, cuja abertura fora obtida na Justiça. Certa vez, o Querelado, começou a destruir o muro que impedia o acesso do condomínio Varandas à servidão. O fato chamou a atenção de moradores do outro condomínio, que, ao se dirigirem para o local e pedirem para que parasse de destruir o muro, foram verbalmente ofendidos por Pedro Costa, que começou a esbravejar diversas ofensas contra as vítimas e todos os moradores de origem judaica, além de outros de origem não judaica.

Em Goiás, Maio de 2012 – O jovem Rafael de Araújo Teixeira de 19 anos, que se dizia da “Igreja de Cristo”, tentou quebrar a marretadas a imagem de uma santa católica que havia sido colocada pela prefeitura da cidade de Águas Lindas de Goiás na Avenida JK, na entrada do Jardim Brasília.

Já em Manaus – em novembro de 2012 – Representantes da Secretaria de Educação do Estado do Amazonas (Seduc) se reuniram com a direção da Escola Estadual Senador João Bosco, em Manaus, para discutir sobre os alunos evangélicos que se negaram a fazer um trabalho sobre a cultura africana. Os alunos entendem que o trabalho passado a eles “faz apologia ao satanismo e ao homossexualismo”, proposta que contraria a crença deles.

Esses e muitos outros casos serão apresentados. Essa é a oportunidade de dar conhecimento acerca de casos de intolerância religiosa e discriminação à sociedade brasileira na audiência pública. Direcionado para a Sociedade Civil, Imprensa e Parlamentares.

A frente de estudo: Ivanir dos Santos, mobilizador e coordenador da equipe do “Relatório de Intolerância Religiosa. A Visão da CCIR e Visões das instituições que integram a CCIR”. Brasileiro, carioca, cor preta, gênero masculino, candomblecista, 61 anos. Interlocutor CCIR; Conselho Executivo do CEAP; Mestrando em História Comparada UFRJ; Conselho Consultivo Cais do Valongo; Pesquisador do LHER.

– Graças Nascimento, brasileira, carioca, cor parda, gênero feminino, sem definição de religião, 66 anos – Coordenadora do Movimento Inter religioso do Rio de Janeiro – MIR; Graduada em Estatística na Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE; Msc. Engenharia de produção COPPE-UFRJ (1976); Integrante da CCIR; Consultora em planejamento estratégico.

– Juliana Cavalcanti, brasileira, carioca, cor parda, gênero feminino, católica, 24 anos. Pesquisadora do laboratório de historia das experiências religiosas (LHER/UFRJ); Bacharel e Licenciada em História e mestranda em História Comparada (PPGHC/ UFRJ).

– Mariana Gino, brasileira, de Juiz de Fora, cor preta, gênero feminino, sem definição religiosa, 28 anos. Professora de Ensino Religioso, especialista em ciência da religião UFJF, Bacharel em Teologia ITASA-CES/JF, Bacharel em História UFJF, licenciada em história UFJF, integrante dos grupos de pesquisas  Afrikas-UFJF e Religião e Modernidade PUC-MINAS, membro do setor de comunicação do coletivo CANDACES – Organização de Mulheres Negras e Conhecimento.

– Vítor Almeida, brasileiro, carioca, cor preta, gênero masculino, sem definição religiosa, 31 anos. Pesquisador do laboratório de historia das experiências religiosas (LHER/UFRJ); Bacharel em História e mestre e doutorando em História Comparada UFRJ.

Audiência Pública, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ)

Nesta terça-feira, dia 18 de agosto – Das 10h, às 13h

Rua: Primeiro de Março, s/n – Centro/Praça XV

Intolerância Religiosa X Democracia.

Tema: Entrega do relatório da Comissão de combate a Intolerância Religiosa

A mesa será composta com

– Marcelo Freixo – Dep Estadual e Pres. da Comissão de defesa dos direitos humanos e cidadania da ALERJ

– Marta Rocha – Dep. Estadual e Presidente da Comissão de segurança e assuntos de policia da ALERJ

– Fernando Veloso – Chefe da Policia Civil

– José Mariano Beltrame – Secretaria Estadual de Segurança Publica

– Márcio Mothé – Sub promotoria de direitos humanos do Ministério Público

– Fábio Amado Barreto – Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública

– Teresa Cosentino – Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos

– Ivanir dos Santos – interlocutor da CCIR

Além de convidados como Kátia Marinho (Yalorixá / avó Kailane Campos) / Diácono Nelson – Igreja Católica  / Sami – Associação Beneficente Muçulmana / Reverendo Marcos Amaral – Igreja Presbiteriana / Pastora Lusmarina – CONIC / Paulo Maltz – Presidente da FIERJ – Federação Israelita do Rio de Janeiro.

CCIR – Comissão de Combate à Intolerância Religiosa

CEAP – Centro de Articulação de Populações Marginalizadas

CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil

MIR – Movimento Inter religioso do Rio de Janeiro

 

 

Extraído do site do Jornal do Brasil / Rio de Janeiro – RJ
http://www.jb.com.br/rio/noticias/2015/08/15/audiencia-publica-na-alerj-vai-discutir-intolerancia-religiosa-com-freixo-e-beltrame/?from_rss=rio

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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