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Rio de Janeiro lidera em casos de discriminação religiosa, aponta SDH

Estadão Conteúdo

Publicado: 03/03/2015 13:00 BRT Atualizado: 03/03/2015 13:29 BRT

UMBANDA SÃO PAULO 28.10.2008/ESTADO VIDA &/ UMBANDA/Acompanhamos um trabalho de umbanda no terreiro de Umbanda, Caboclo sete Fechas e pai Jobá, Rua Rafaela 84, jardim Mendes Gaia, zona sul. Fomos recepcionados pelo pai de Santo o Sr Milton Aguirre. Na gi

 

Há oito meses, mãe Conceição de Lissá, de 53 anos, vê seu terreiro – o que sobrou dele – com cada vez menos fiéis. Antes de um incêndio destruir o barracão no Jardim Vale do Sol, em Duque de Caxias (cidade na Baixada Fluminense), cerca de 100pessoas participavam dos rituais. Agora, em média, 20 aparecem.

O medo, após o oitavo ataque em oito anos, é um dos motivos para a debandada. Também influi o fato de o barracão ainda estar destruído, o que limita os rituais à área externa do terreiro. Quando chove, as atividades são suspensas.

Episódios de intolerância como esse colocaram o Rio na primeira posição entre os Estados brasileiros no número de denúncias sobre discriminação religiosa em 2014. De acordo com levantamento da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, o Rio teve 39 queixas no último ano e ultrapassou São Paulo como Estado com mais relatos de intolerância ao Disque 100 (número disponibilizado pela Secretaria como canal de denúncias).

Os registros paulistas caíram entre os dois anos, de 50 para 29, enquanto o índice do Rio se manteve o mesmo. O índice nacional também caiu: de 231 para 149.

Desde o incêndio, mãe Conceição faz terapia e agora tenta reconstruir o terreiro. Ela conta que ainda faltam R$ 150 mil para concluir a reforma. “Tivemos uma perda considerável, ficamos muito fechados para nós mesmos. A gente precisa renascer, a gente precisa retornar as nossas atividades normais, as nossas festividades.” Segundo ela, várias vítimas de intolerância contra religiões afro não denunciam “porque as casas ficam desacreditadas”. “Vai acontecer o que aconteceu com a minha casa.”

Para Janayna Lui, pesquisadora do Instituto de Estudos da Religião, a liderança do Rio no ranking se deve à força das instituições que defendem a liberdade religiosa. “De uns dois, três anos para cá, há um movimento no Rio para impulsionar a criação de políticas publicas contra a intolerância religiosa”, diz, citando o Ceap (Centro de Articulação de Populações Marginalizadas) e a CCIR (Comissão de Combate à Intolerância Religiosa).

A segunda razão, diz a pesquisadora, é que o ensino religioso no Estado é controverso e pode ter gerado denúncias ao Disque 100. Lei estadual de 2000 estabelece que o modelo adotado no Rio é o confessional, ou seja, cada aluno deverá ter aulas ministradas conforme seu credo. O problema é que faltam professores de religiões de matrizes africanas, por exemplo. “As escolas afirmam que não há demanda. E aí a criança acaba sendo colocada em uma sala de aula da religião que não é a sua.” De acordo com o Censo de 2010, 45,81% da população fluminense é católica e 29,37%, evangélica.

O preconceito é uma das memórias que a cigana Miriam Stanescom, 77, guarda dos tempos de escola. “Eu brigava muito no colégio. Se sumia uma borracha, a culpa era minha. Me formar foi o maior milagre da minha vida“, relata. A discriminação acompanhou sua rotina acadêmica.

Vitórias da equipe de vôlei da qual fazia parte, por exemplo, eram fruto de “feitiçaria” para os colegas. “Quando passei no vestibular, muita colega minha que não passou falava: ‘ah, mas a cigana é feiticeira’. Dá para fazer um livro com as histórias de preconceito”.

 

 

Extraído do site Brasil Post associado à Abril Editora
http://www.brasilpost.com.br/2015/03/03/discriminacao-religiosa-brasil_n_6791566.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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