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RIO: Internautas acusam Farm de racismo

 

Grife carioca fez estampa com desenhos de mulheres e homens negros trabalhando em cenário escravista

10/07/2017 21:46:31 – ATUALIZADA ÀS 10/07/2017 23:42:01

O DIA

Rio – Uma estampa da Farm com desenhos de mulheres e homens negros trabalhando em um cenário escravista do Brasil do século XIX causou revolta nas redes sociais. Para a grife de roupas carioca, um retrato de uma cena cotidiana do período pós-colonial. Já para os internautas, uma representação racista dos negros como escravos.

Estampa “Rua do Mar” da Farm causou revolta nas redes sociais. Divulgação

A acusação de racismo viralizou, após o blogueiro José Carlos Angelo, 29 anos, publicar uma imagem da estampa em seu Facebook neste domingo. “Eu vi a foto e achei a estampa parecida com a da Maria Filó. Eu ampliei a imagem e notei os detalhes. Compartilhei na minha rede social para perguntar se era o que realmente estava pensando e todo mundo se indignou”, diz o jovem também conhecido como Jota.

Em poucas horas, diversos internautas se manifestaram na publicação do blogueiro. “Farm racista! Novidade nenhuma”, comentou uma. “Maria Filó já fez isso em 2016. Essa galera não aprende?!”, escreveu outra. “Eu não entendi bem o problema da estampa”, questionou um internauta. “Eles não fazem estampas de campos de concentração nazista ou câmara de gás, mas o maior crime da humanidade que foi a escravidão negra para eles (racistas) é arte”, disse uma usuária. 

Publicação de Jota viralizou nas redes sociais. Reprodução Internet

De acordo com Jota, ele e os amigos mandaram mensagem para a grife para mostrar a indignação. “A Farm excluiu a foto e nos respondeu pedindo desculpas”, comenta. No entanto, o pedido não convenceu o rapaz. “Foi uma mensagem automática. Não é a primeiro episódio envolvendo a grife.” 

“Essas coisas são reincidentes não só com eles, como com outras marcas. Eles se apropriam da nossa cultura o tempo todo. Mas no caso da Farm já teve o caso da Iemanjá branca, além de peças estampadas com os nossos santos”, afirma.

Em 2014, a Farm foi acusada de racismo ao representar Iemanjá com uma modelo branca.”Depois dessa polêmica, eles tiveram que se repensar. Colocaram mais modelos negras nos editoriais e mais vendedoras negras nas lojas. No entanto, o pensamento continuou igual”, conclui Jota. 

Segundo o blogueiro, a escravidão não é um período histórico que os negros querem ver sendo comercializado. “As marcas continuam mercantilizando nossa cultura e história, enquanto nós negros continuamos sendo marginalizados.”

Pedido de desculpas da Farm para Jota. Reprodução Internet

A Farm informou que diante da associação negativa resolveu recolher as peças das lojas e do site. Para Jota, a decisão só reforça o racismo da imagem. “É urgente ter pessoas negras ocupando cargos criativos e de gerenciamento dentro dessas marcas. É o único jeito de acabar com esse pensamento estrutural e para que episódios como esses não se repitam”, acredita.

A empresa também respondeu comentários de usuários em sua página no Facebook. A Farm pediu desculpas e comentou que “segue aprendendo para não cometer os mesmos erros”. No início desta noite, a grife publicou uma nota na rede social.

Farm responde comentários de internautas no Facebook. Reprodução Internet

 Confira abaixo a nota divulgada pela assessoria de imprensa da Farm na íntegra:

Devido à polêmica em relação à estampa “Rua do Mar”, utilizada na atual coleção, a FARM esclarece que a ilustração refere-se a uma cena cotidiana do período pós-colonial, desenhada em preto e branco. No último sábado, a estampa começou a ser criticada como racista. Mesmo a marca não tendo esta intenção, a simples associação negativa fez com que a FARM começasse a recolher as peças das lojas e do site. A FARM disponibilizou a arte da estampa, através de sua assessoria, a fim de facilitar a apuração dos fatos pela imprensa e pede desculpas a todos pelo sentimento negativo gerado.

Esta é a nossa estampa “Rua do Mar”. Ficamos tristes com a repercussão negativa despertada por ela. Não era esta a nossa intenção. Estamos retirando as peças do nosso site e lojas. Pedimos desculpas a todos pelos sentimentos negativos gerados.

 

Grife carioca já havia sido acusada de racismo

Em dezembro de 2014, a Farm também foi acusada de racismo nas redes sociais. Na ocasião, a grife carioca publicou uma imagem de uma modelo branca para homenagear Iemanjá. A empresa foi duramente criticada pelos internautas, que falavam sobre a escolha da modelo e apontavam a falta de meninas negras nos catálogos da marca. 

O rapper Emicida comentou na publicação criticando a postura da empresa. “Usar a cultura afro como base de criação e elemento de autenticidade sempre. Empregar modelos negros nunca. Racismo brasileiro onde ninguém é e assim todos são livres para continuar sendo sem culpa. Triste, mas sem novidade. #ubuntu”, escreveu o cantor. 

Como resposta, a Farm divulgou um vídeo de um dos desfiles da marca com modelos negras usando as peças daquela coleção.

Reportagem da estagiária Luana Benedito, sob supervisão de Thiago Antunes

 

Extraído do site do Jornal O Dia / Rio de Janeiro – RJ
http://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2017-07-10/internautas-acusam-farm-de-racismo.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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