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Roda de Capoeira recebe título de Património da Humanidade

29.11.2014

 

21219Roda de Capoeira recebe título de Património da Humanidade

  

Reconhecimento da UNESCO representa uma conquista
para a cultura brasileira e valoriza as raízes africanas no País

 

 

Lisboa, 27 de novembro de 2014. – Uma das manifestações culturais mais conhecidas no Brasil e reconhecidas no mundo, a Roda de Capoeira recebeu, nesta quarta-feira (26), o título de Património Cultural Imaterial da Humanidade. O título foi concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

O reconhecimento vai além da mera documentação e anúncio do facto; passa também pela representação da identidade brasileira, sua história e costumes, bem como difunde os valores éticos da prática.

“Está é mais uma importante vitória para a cultura brasileira. O reconhecimento da Roda de Capoeira como património pela UNESCO promove e apresenta ao mundo a diversidade cultural do Brasil. O nosso País foi formado por distintos grupos e esperamos que o turista estrangeiro possa reconhecer e admirar, também na Capoeira, as nossas raízes africanas”, destacou o presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (EMBRATUR), Vicente Neto.

 

Segundo a presidente do Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Jurema Machado, a inscrição da Roda de Capoeira na lista representativa promoverá também o aumento da visibilidade desse e de outros bens culturais relacionados aos movimentos de luta contra a opressão, sobretudo aqueles pertencentes às comunidades afrodescendentes.

“A roda de capoeira expressa a história de resistência negra no Brasil, durante e após a escravidão. O seu reconhecimento como património demarca a consciencialização sobre o valor da herança cultural africana, que, no passado, foi reprimida e discriminada”, conclui Jurema.

 

Com o título, a prática cultural afro-brasileira – que é ao mesmo tempo luta, dança, desporto e arte – reúne-se agora ao Samba de Roda do Recôncavo Baiano (BA), à Arte Kusiwa-Pintura Corporal (AP), ao Frevo (PE) e ao Círio de Nazaré (PA), também reconhecidos como Património Cultural Imaterial da Humanidade.

História

Originada no século XVII, em pleno período escravista, a capoeira desenvolveu-se como forma de sociabilidade e solidariedade entre os africanos escravizados, estratégia para lidarem com o controle e a violência.

Hoje, é um dos maiores símbolos da identidade brasileira e está presente em todo território nacional, além de praticada em mais de 160 países, em todos os continentes.

A Roda de Capoeira e o Ofício dos Mestres de Capoeira foram reconhecidos como patrimônio cultural brasileiro pelo Iphan em 2008, e estão inscritos no Livro de Registro das Formas de Expressão e no Livro de Registro dos Saberes, respectivamente.

Profundamente ritualizado, o espaço da Roda reúne cantos e gestos que expressam uma visão de mundo, uma hierarquia, um código de ética, e revelam companheirismo e solidariedade.

É na roda de capoeira que se formam e se consagram os grandes mestres, se transmitem e se reiteram práticas e valores tradicionais afro-brasileiros. Forma redes de sociabilidade, gera identidades comuns e laços de cooperação entre seus integrantes. É o lugar de socialização de conhecimentos e práticas; de aprender e aplicar saberes, testar limites e invenções, reverenciar os mais velhos e improvisar novos cantos e movimentos.

Metaforicamente representa a roda do mundo, a roda da vida, onde há lugar para o inesperado, onde ora se ganha ora se perde. A roda também tem a função de difundir os símbolos e valores relacionados à diáspora africana no território brasileiro. Leva a mensagem de resistência sobre o sistema escravagista.

Vídeo ilustrativo (IPHAN): https://www.youtube.com/watch?v=_HeWO3vmCXY

Link com fotos: http://we.tl/TFQEF04cZL

 

Extraído do site russo Pravda
http://port.pravda.ru/sociedade/cultura/29-11-2014/37689-roda_capoeira-0/

 

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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