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Roda de samba em Curitiba faz homenagem à matriarca do gênero no Brasil

Grupo recebe neste sábado (9) herdeiros da família “nº 1 do samba brasileiro” para celebrar música do sambista e memória da baiana que forjou o samba

SANDRO MOSER / 07/09/2017 / 15:03

 

Uma roda do Samba do Sindicatis e assim: homenagem a Bucy Moreira. Foto: Juliana Vitulskis/Divulgação

 

A roda do Samba do Sindicatis, tradicional reunião de sambistas de Curitiba, armou para este sábado (9) uma festa que, além da boa música será uma aula de história da música popular no país.

A festa batizada de “Samba do Sindicatis e Glória ao Samba homenageiam Bucy Moreira” acontece à partir das 16h na Casla (veja detalhes abaixo). Além de celebrar a obra do compositor portelense vai investigar as raízes do gênero brasileiro “no terreiro da Tia Ciata”.

Na festa, o pessoal do Sindicatis e quem mais chegar na roda, irá cantar boa parte da obra do autor de clássicos como Não Põe a Mãe (sucesso na voz de Jamelão); Quem Pode, Pode e Não Precisa Pagar, entre outros. A roda será desplugada, “no gogó” e é prudente chegar cedo, pois o local comporta pouco mais de 200 pessoas. Em sete anos de atividade, o Sindicatis já fez homenagens a Nélson Sargento, Monarco, Tantinho e outros bambas.

Bucy (1909-1984) era um sambista completo: compunha, era ritmista de primeira e, diz a lenda, o melhor dançarino de sua geração. Fez parte da Deixa Falar, a primeira escola de samba. Ele também vendeu muitas de suas composições na era do rádio, subterfúgio comum dos compositores de então para ganhar algum dinheiro.

Segundo o advogado Bruno Santos de Lima, um dos fundadores do Sindicatis, a homenagem ao velho sambista envolve gosto pessoal e dimensão histórica. “Os sambas dele são um melhor que o outro. Mas, além do compositor genial, ele foi uma espécie de cronista dos primórdios do samba, muito requisitado para dar depoimentos sobre a era do rádio, o momento dos primórdios do samba no Estácio de Sá (bairro central carioca onde se fundou a primeira escola de samba) e o terreiro da casa da sua vó”.

Famíla da Tia Ciata, matriarca do samba, vem para a homenagem

A avó de Bucy era a mãe de santo Hilária Batista de Almeida, a Tia Ciata. O samba, como o conhecemos, deve muito a trajetória desta mulher.

Tia Ciata: matriaca do samba, “cara do Brasil”.

 

Na festa deste sábado, a esposa de Bucy, Nancy e sua filha, Gracy, estarão presentes na festa, bem como o grupo Paulista que também faz um trabalho equivalente em São Paulo.

Gracy criou em 2007 e comada hoje a Organização Cultural Remanescentes de Tia Ciata (ORTC), entidade funciona que preserva o legado histórico da matriarca do samba brasileiro e da região conhecida como “Pequena Africa”, área da zona portuária do Rio. A zona portuária do Rio que concentrava na época comunidades remanescentes de quilombos e escravos alforriados e onde aconteciam as primeiras reuniões de samba. O gênero na época era proibido por lei.

Tia Ciata, além de líder religiosa, era cozinheira e vendia quitutes em seu tabuleiro no centro do rio. O arquétipo das baianas das escolas de samba atuais vem das roupas que ela usava.  Mais importante ainda, sua casa era aberta para festas e reuniões de músicos como Pixinguinha e João da Bahiana. Foi numa destas reuniões que nasceu o samba Pelo Telefone, de Donga e Mauro de Almeida, que entrou para a história como o primeiro samba gravado.

“O jeito do samba, a nossa identidade acabou nascendo dela. Tudo o que a gente chama de samba hoje nasceu e se formou ali no quintal dela ou perto, com os personagens que ali conviviam. Tudo foi introduzido lá, as formas de cantar e falar, os instrumentos”, explica a bisneta Gracy.

“Ela hoje é uma matriarca internacional, uma referência do que entendemos hoje como a cultura do samba que é nosso maior patrimônio imaterial. A cara do Brasil”.

Extraído do site do Jornal Gazeta do Povo / Curitiba – PR
http://guia.gazetadopovo.com.br/materias/samba-do-sindicatis-homenageia-bucy-moreira/

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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