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Roger Cipó mostra relações nos terreiros de Candomblé

Miriam Gimenes

Publicado em domingo, 9 de julho de 2017 às 07:00

 Com o intuito de congelar a beleza das relações humanas sob a ótica do que acontecesse nos terreiros de Candomblé, o fotógrafo de Diadema, Roger Cipó, acaba de abrir a exposição Afeto, na Galeria Pretos Novos de Arte Contemporânea, no Rio de Janeiro. A curadoria é de Marco Antonio Teobaldo. As imagens foram captadas durante a sua peregrinação em dezenas de terreiros em São Paulo.

Segundo o fotógrafo, que há anos é frequentador destes espaços, a escolha tem a ver com o tipo de relação que encontrou no contato com a religiosidade do candomblé. “Falar das manifestações de carinho e da construção desses laços a partir da experiência de fé se tornou uma missão, a forma de apresentar uma imagem de terreiro sem as lentes estereotipadas do racismo religioso, a partir do olhar de um fotógrafo que não observa esse espaço como objeto de pesquisa, mas que mergulha, vive essas experiências e entende o poder que a imagem tem na construção e desconstrução das narrativas a cerca do que, no Brasil, a intolerância vai chamar de desconhecido.”

É, segundo ele, uma tentativa de humanizar a imagem apresentada, sem os tradicionais fetiches da pesquisa eurocêntrica e acadêmica. “Mostrar em sua forma afetiva e humana, porque é assim que se dão essas experiências no candomblé”, ressalta. Cipó conta que quando as divindades do candomblé o permitiram registrar suas manifestações nas cerimônias passou a perceber que além das danças e rituais, um dos motivos da presença sagrada era o reencontro com sua ascendência, povos afro-brasileiros, que preservam as tradições das diásporas pretas no Brasil. “Esse reencontro é, em qualquer terreiro, um momento de cuidado, cheio de sentimento, abraços, carinhos, afeto.” Essa foi, portanto, a razão do nome da mostra, que ele não sabe ainda se deverá ser feita também na região.

“Infelizmente, produzir cultura no Grande ABC é uma dificuldade tremenda. Os retrocessos políticos e sociais colaboram para que a produção de arte sucumba, mas fazer arte também é resistência, então eu ainda acredito e tenho vontade de expor esse trabalho na minha cidade e região”, finaliza.

Afeto – Exposição. Galeria Pretos Novos de Arte Contemporânea – Rua Pedro Ernesto, 32, no Rio de Janeiro. Até 2 de setembro. De terça à sexta, das 13h às 19h, e sábado, das 10h às 13h. Entrada Gratuita.

 

 

Extraído do site do Jornal Diário do Grande ABC / Santo André – SP
http://www.dgabc.com.br/Noticia/2725802/roger-cipo-mostra-relacoes-nos-terreiros-de-candomble

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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