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Rolé Carioca pelo SAARA

Por

 Redação

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24 de julho de 2017

Dando continuidade aos descobrimentos do centro histórico do Rio de Janeiro, o Rolé Carioca atravessará o SAARA, no dia 29 de julho. O evento, que já faz parte do calendário extraoficial da cidade, e que já levou mais de 15 mil pessoas às ruas do Rio para aulas gratuitas de história, se debruça agora sobre uma das regiões mais populares da cidade.  Realizado pelo Estúdio M’Baraká, o Rolé Carioca tem os professores da Estácio Rodrigo Rainha e William Martins como guias-performances dos passeios, que esse ano passará ainda por Bangu, Santa Teresa, Cachambi e São Cristóvão, além dos passeios já realizados pela Glória e pela região da Central do Brasil.

O professor Rodrigo Rainha lembra que nem sempre o SAARA foi unanimidade entre os cariocas: “Tentaram acabar com a região do SAARA, nome emblemáticos da Sociedade dos Amigos da Adjacências na rua da Alfândega.  O plano Doxiadis tinha certeza de que o progresso era mais importante do que os pequenos comércios.  O que eles não contavam era com a força dos grupos que se unem, se reinventam e se recriam.  Visitar o SAARA, saindo do CRAB na Praça Tiradentes, é um exercício de visitar o Rio Resistente, apaixonado, obstinado, abandonado, mas risonho!!!”

É esse olhar apaixonado que guiará o passeio pela região. O percurso escolhido traçará um belo panorama do SAARA: CRAB, Avenida Passos, Federação Espírita do Rio de Janeiro, Rua da Alfândega,Igreja de Santa Efigênia e Santo Elesbão, Rua Gonçalves Ledo, Rua Senhor dos Passos, Rua Buenos Aires, Praça dos Mascates, Rua Regente Feijó, Igreja de São Jorge e São Gonçalo, Campo de Santana (Praça da República), Quartel Central dos Bombeiros / Museu do corpo de Bombeiros, Antiga Casa da Moeda, Retorno ao CRAB.

“Explorar a cidade é também um movimento para transformá-la, compreendendo sua história e percebendo suas nuances, signos e deformidades”, diz Isabel Seixas, coordenadora do projeto. O encontro de moradores e visitantes com a cidade, sua história viva e em constante transformação é o objetivo do Rolé Carioca.

SAARA

No início, as ruas estreitas que correspondem ao quadrilátero formado pela Praça da República até a Rua dos Andradas e a ruas da Alfândega e Buenos Aires foram ocupadas por comerciantes portugueses atacadistas de tecidos e gêneros alimentícios. O comércio então passou por transformações entre o final do século XIX e o início do século XX, com a chegada de imigrantes de origem semita — libaneses, sírios cristãos e judeus – vindos do Oriente Médio e da Europa Central. Movimentos migratórios posteriores, de chineses na década de 60 e mais recentemente de coreanos, alterariam mais uma vez o espaço, cuja heterogeneidade étnica é única na cidade.

Popularmente, a região é chamada de SAARA (“Sociedade de Amigos e Adjacências da Rua da Alfândega”), sigla correspondente à associação de comerciantes que, em 1962, evitou desapropriações ao interromper a abertura de uma avenida unindo a Praça XV à Central do Brasil. O centro comercial sobrevive com novos mascates de microfone na mão e ainda é expressão de resistência por parte de grupos minoritários. Neste Rolé Carioca, veremos que agora fala chinês, coreano, tem sotaque nordestino e um balanço na voz típico dos morros do Rio, mas está vivo, com todas as suas bugigangas.

ROTEIRO

CRAB – Centro SEBRAE de Referência do Artesanato Brasileiro

Formado por três edificações históricas que ficam na Praça Tiradentes, o CRAB é um espaço cultural de múltiplas atividades e vitrine da produção e da comercialização do artesanato brasileiro. O maior prédio do conjunto é o Solar Visconde do Rio Seco, construído no final do século XVIII e adquirido em 1812 para ser residência do Visconde. Em 1876, abrigou a Secretaria de Estado e dos Negócios do Interior do Império e, após a Proclamação da República, foi sede do Ministério da Justiça até 1930. Hoje pertence à Prefeitura do Rio e, assim como inúmeros prédios no entorno da Praça, faz parte do Corredor Cultural criado com o intuito de preservar e revitalizar áreas históricas da cidade.

Federação Espírita Brasileira

Fundada em 1884, a instituição ganhou importância na luta pela liberdade religiosa, numa época em que o espiritismo era associado à loucura. Mudou de endereço inúmeras vezes até se estabelecer, em 1911, na Av. Passos, onde abriga um centro espírita, com atividades de culto e estudo, e uma livraria que ajudou a difundir a doutrina de Allan Kardec no Brasil, editando o jornal Reformador e inúmeros títulos espíritas, incluindo as obras de Chico Xavier.

Igreja de Santa Efigênia e Santo Elesbão

Foram os escravos que trouxeram para o Brasil o culto a esses dois santos, de origem africana. A igreja foi construída a partir de 1747 por uma irmandade formada por negros de Cabo Verde, Costa da Mina e Moçambique, além de escravos alforriados, e ainda apresenta relíquias, como a rara imagem de São Bom Homem, padroeiro dos comerciantes.

Casario das ruas da SAARA

A ocupação sírio-libanesa na área ainda está presente nos sobrados, no comércio e nas marcas reveladas pelas ruas estreitas. Uma reminiscência dessa época é a Igreja de São Basílio, primeiro templo cristão oriental do Brasil, erguido em 1941 e que segue o rito grego-melquita. Ali, já estiveram hospedados os patriarcas melquitas Máximo IV, em 1955 e, Gregorios III, em 2010.

Igreja de São Jorge e São Gonçalo

Mais popular da região, foi inicialmente devotada apenas a São Gonçalo. Em 1850, a Irmandade de São Jorge se estabelece na mesma igreja e traz novos devotos. Destaque para a imagem de São Gonçalo Garcia, representado com duas lanças atravessando seu corpo e com a ponta da orelha cortada. São Jorge está representado em 2 imagens: uma no altar-mor e outra na capela lateral, usada nas procissões do santo.

Campo de Santana

Palco de momentos históricos, como a aclamação de D. Pedro I como imperador do Brasil e a proclamação da República, o Campo já foi chamado da Aclamação e Praça da República, por conta desses eventos. Antes, era usado como local de despejo de detritos, até receber, em 1880, um projeto do paisagista francês Auguste François Marie Glaziou, com a finalidade de “dar um pulmão à capital do Império”. O jardim recebeu fontes, cascatas, pedras e mais de 60 mil plantas, muitas das quais perduram até hoje, e mantém a função de refúgio verde do centro da cidade, onde habitam patos, gansos e cotias, entre outros animais.

Quartel Central do Corpo de Bombeiros

O local é sede do Primeiro Corpo de Bombeiros do Brasil desde 1856, quando a corporação foi criada por D. Pedro II. Em 1908, as antigas instalações deram lugar ao edifício atual, projeto em estilo eclético do engenheiro militar Francisco Marcelino de Souza Aguiar. Uma estrutura metálica no átrio interior dá leveza e funcionalidade aos alojamentos. Abriga um museu temático que conserva peças da história do combate aos incêndios no Rio.

Antiga Casa da Moeda – Arquivo Nacional

Criada no Brasil Colônia pelos governantes portugueses para fabricar moedas com o ouro proveniente das minerações, a Casa da Moeda do Brasil teve centros de produção de moedas em Salvador, Recife e Vila Rica (MG), até ser transferida para o Rio de Janeiro. Operou em instalações provisórias e, mais tarde, neste amplo prédio construído no Campo de Santana, inaugurado em 1868 e hoje pertencente ao Arquivo Nacional. Essa planta foi objeto de reformas que alteraram suas características para atender às exigências de expansão de produção de meio circulante, até a transferência da CMB para um parque industrial em Santa Cruz, em 1984.

SERVIÇO

Rolé Carioca – SAARA

Data: 29 de julho

Ponto de encontro: CRAB – Centro de Referência do Artesanato Brasileiro (Praça Tiradentes)

Horário: 9h

 

Extraído do blog cultural Sopa Cultural / Rio de Janeiro – RJ
https://www.sopacultural.com/role-carioca-pelo-saara/

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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