Breaking News

‘Sagrado não tem cor’, diz Mãe Stella em debate que lotou tarde na Flica

Ialorixá participou de discussão literária em Cachoeira, neste sábado (1º).
Cerca de 700 pessoas viram mesa intitulada ‘Os Lastros de Antigos Laços’.

Henrique Mendes | Do G1 BA | 01/11/2014 21h07 – Atualizado em 01/11/2014 21h16

 

 

Participação de Mãe Stella lotou tarde de sávado na Flica, em Cachoeira (Foto: Henrique Mendes/G1)
Participação de Mãe Stella lotou tarde de sávado na Flica, em Cachoeira (Foto: Henrique Mendes/G1)

Primeira homenageada nas quatro edições da Festa Literária de Internacional de Cachoeira (Flica), no recôncavo da Bahia, Mãe Stella de Oxóssi atraiu centenas de admiradores para o Convento do Conjunto do Carmo no final da tarde deste sábado (1º). Com espaço para 300 pessoas sentadas, o chão foi uma alternativa para um público estimado em 700 pessoas que com aplausos recebeu a primeira Iyalorixá empossada em uma academia de letras no Brasil.

 

Mãe Stella integrou a décima mesa do evento literário. Sob a mediação do professor Jaime Sodré, a Iyalorixá versou sobre um tema inspirado em sua história de vida: “Os Lastros de Antigos Laços”. Para começar, reafirmou o vínculo com candomblé e ressaltou que a religião não é propriedade de um povo específico.  “O sagrado não tem nação. Não tem preto, não tem cor. O sagrado está em nosso coração”, alertou.

Sobre a afirmação das crenças religiosas, Mãe Stella revelou que ainda há pessoas que não atestam a própria crença nos orixás. “Uma coisa que me choca muito é uma pessoa de orixá que não se tem como religioso. Diz que é católico. Raramente pessoas dizem que são  do candomblé”, criticou. À respeito do orgulho de ser de santo, Mãe Stella relatou que tem a inspiração dos orixás até na literatura. “Oxóssi não chega [como inspiração], ele tá comigo. Se estou estudando, chorando, dançando candomblé, ele está comigo”, afirmou.

Autora de livros como “Meu tempo é agora”, “Òsóòsi – O Caçador de Alegrias”, “Epé Laiyé- terra viva” e “Ófun”, a Iyalorixá disse que a produção literária é possível a todos. “Até quem não sabe ler pode falar para outro escrever, basta ter inspiração”, defendeu. Ocupante da cadeira número 33 da Academia de Letras da Bahia (ALB) e inspiração do povo de santo, Mãe Stella não considera mais importantes do que os demais integrantes do Candomblé. “Com espiritualidade não tem superior”, ressaltou.

Sobre os 89 anos, Mãe Stella admitiu que já sente o peso da idade. “É fogo. Está difícil as limitações de velho. Às vezes, eu quero passar a noite cantando, fazendo  poesia ou lendo, mas não posso porque o sono chega antes da hora”, relatou. Ela também destacou os problemas de atenção.

A idade, entretanto, não impede que a escritora e Iyalorixá esteja antenada aos assuntos que são notícia no país. Sobre a recente discussão sobre preconceito regional de sulistas contra nordestinos, que veio após as eleições, ela brincou: “A pessoa comeu um mocotó mal comido e entrou esse delírio [preconceito] na cabeça, mas vai passar. É passageiro”, vislumbrou.

À respeito da homenagem da Flica, Mãe Stella admitiu que não esperava um dia receber uma homenagem tão gratificante. “É muito difícil falar. As palavras faltam de tanta alegria e emoção. Nunca imaginei que estaria um dia aqui nesse bate-papo tão gratificante. Peço que tenham paciência comigo e aceitem minhas palavras”, concluiu sob aplausos.

 

 

Extraído do Portal de Notícias G1/Bahia

http://g1.globo.com/bahia/flica/2014/noticia/2014/11/sagrado-nao-tem-cor-diz-mae-stella-em-debate-que-lotou-tarde-na-flica.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

Related posts

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *