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Salgueiro busca proteção dos orixás para lutar pela preservação do planeta

Enredo conta a história da criação do mundo, de acordo com povo iorubá.

Vermelho-e-branco da Tijuca vai ser a desfilar no domingo (2).

Alba Valéria MendonçaDo G1 Rio

25/02/2014 16h36 – Atualizado em 25/02/2014 16h55

 

Com a bênção dos orixás, a Acadêmicos do Salgueiro quer entrar na Sapucaí decidida a conquistar o campeonato que vem lhe escapando pelas mãos nos últimos anos. Para isso, os carnavalescos Renato e Márcia Lage decidiram botar fé num enredo que fala da criação do mundo e faz um alerta pela preservação do planeta.  Como frisa Márcia, trata-se da história da criação da Terra contada a partir da energia dos quatro elementos: terra, água, fogo e ar.

 

(O G1 publica desde segunda, 24, uma série de reportagens sobre os enredos das escolas de samba do Grupo Especial do Rio)

 

O Salgueiro será a quinta escola do Grupo Especial a se apresentar no Sambódromo do Rio, no domingo de carnaval (2), com o enredo “Gaia, a vida em nossas mãos”.

Artesãos trabalham no carro alegórico do Salgueiro que retrata o continente africano (Foto: Alba Valéria Mendonça/ G1)
Artesãos trabalham no carro alegórico do Salgueiro
que retrata o continente africano
(Foto: Alba Valéria
Mendonça/ G1)

 

A escola, com seus 4.100 componentes divididos em 35 alas, vai contar essa história da criação do mundo desde os primórdios da humanidade, a partir dos povos de língua iorubá, por exemplo, acreditam em um deus supremo a quem chamam Olorum. Na mitologia africana é do templo de Olorum que saem os guardiões da natureza, os orixás, tão presentes na cultura e religião trazidas para o Brasil pelos escravos africanos. Juntos esses orixás harmonizam e defendem o mundo terreno.

 

No segundo setor, o elemento que conta a criação do mundo é a terra, com suas colheitas, frutos e flores. Lugar sólido e de muita força, de onde se tira o sustento da carne e também do espírito, segundo Márcia Lage. O elemento terra, segundo ela, está muito ligado ao continente africano.

 

fichasalg300Depois vem o elemento água. Ele será defendido pelos povos orientais, como destaca a carnavalesca, lembrando que chineses e japoneses têm afinidade com o mar e a pesca. A água vai simbolizar o continente asiático.

“O mar tem também um grande simbolismo de prosperidade. A água é a fonte da vida. Sem ela, não sobreviveríamos. Ela também é purificadora e evocada em quase todas as religiões.”, lembra Márcia, acrescentando que as carpas são tidas como animais que trazem sorte.

Com cores quentes, que representam o fogo, o quarto setor vai destacar a cultura da América pré-colombiana, onde povos maias e incas cultuavam o deus Sol. O fogo também foi o elemento que levou o homem a cozinhar e preparar alimentos, aquecer abrigos do frio e da ameaça de animais. Nesse período também os homens começam a forjar de metais para ornamentos e armas. E é no calor desses acontecimentos que surge a bateria comandada por Mestre Marcão.

E para fechar o ciclo, o Salgueiro vai falar do ar, o mais delicado e presente dos elementos da criação do mundo. E traz no vento, um turbilhão de energia. O setor termina com uma alerta sobre a importância da preservação do planeta e contra o caos, a ganância e o poder da destruição. Nesse setor, a escola apresenta propostas como a utilização da energia sustentável e modos de se obter qualidade de vida nas cidades.

 

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Extraído do site Portal de Notícias G1

http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/carnaval/2014/noticia/2014/02/salgueiro-busca-protecao-dos-orixas-para-lutar-pela-preservacao-do-planeta.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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