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SALVADOR: Livro com vocabulário do iorubá no candomblé será lançado nesta sexta (2)

 

O livro, do pesquisador Márcio de Jagun, será lançado a partir das 16h30 desta sexta-feira (2), no Museu Afro-Brasileiro (Mafro) da Ufba, no Pelourinho

Thais Borges (thais.borges@redebahia.com.br)

01/06/2017 16:02:00Atualizado em 01/06/2017 17:39:27

 

Você sabe o que significa ‘omi’, no iorubá? Com um dicionário da língua, pode descobrir facilmente que significa água. Mas, no dia a dia do candomblé, a palavra tem um significado muito mais profundo. “Quando você entende que, além de água, ‘omi’ significa vida, fecundidade, acalanto… Tem uma dimensão muito maior”, explica o pesquisador e babalorixá Márcio de Jagun.

(Foto: Acervo pessoal)

Foi pensando em mostrar o significado das palavras do iorubá na vivência da religião que Márcio de Jagun decidiu começar a pesquisa que levou ao livro Yorùbá – Vocabulário Temático do Candomblé, que será lançado nesta sexta-feira (2), a partir das 16h30, no Museu Afro-Brasileiro (Mafro) da Universidade Federal da Bahia, no Pelourinho. O lançamento faz parte da programação de aniversário de 35 anos do Mafro. 

“O mais interessante é poder registrar o conceito filosófico que está na tradução dessas palavras. É a mesma coisa com ‘ori’, que é cabeça, mas, num conteúdo filosófico, é uma divindade pessoal, o orixá que dirige o homem ao seu destino”, diz o pesquisador e babalorixá. Ao todo, são mais de 10 mil verbetes distribuídos em quase 1,5 mil páginas e 50 capítulos temáticos, como saudações, elementos da natureza e animais. 

O vocabulário é fruto da parceria entre a Universidade Estadual do Rio de Janeiro – onde Márcio é professor de extensão –, o Instituto Orí e a Editora Litteris. A pesquisa durou três anos. Em abril, o livro foi lançado no Rio de Janeiro (RJ) e, em agosto, acontece o evento em São Paulo (SP). 

“Salvador é uma terra especial para o candomblé. As matrizes estão localizadas aqui, Salvador tem tudo a ver com um trabalho com esse propósito”. Segundo o babalorixá, o vocabulário é mais do que um dicionário. “É a questão da memória que foi preservada, do uso litúrgico, do significado do iorubá religioso”, afirma Márcio de Jagun, que é advogado e babalorixá do terreiro Ilé Àṣẹ Àiyé Ọbalúwáiyé, que fica no Rio de Janeiro, mas é descendente da Casa de Oxumarê. 

O evento no Mafro, no Pelourinho, é gratuito (Imagem: Divulgação)

De acordo com a coordenadora do Mafro, Graça Teixeira, que é professora do Departamento de Museologia da Ufba, o vocabulário tem tudo a ver com a própria história do museu. “Boa parte do acervo africano é da África iorubana. Aqui na Bahia, apesar de ter outros grupos, a maior representação no museu é da cultura iorubana”. 

Para ela, o Mafro, com seus 35 anos, tem o papel de trazer discussões à sociedade. “O museu é um espaço de poder e conflito, de discussão, reflexão. Não é só o espaço para deleite. A gente trabalha aqui na perspectiva da museologia social, numa perspectiva inclusiva de tentar fazer com que os sujeitos sejam visibilizados. Somos o único museu com essa perspectiva e essa missão na Bahia”.

O livro custa R$ 190,00 e estará disponível para venda na sede do Mafro, no Pelourinho, e na livraria Catuca, na Praça da Sé.

 

Extraído do site do Jornal Correio 24hs / Salvador – BA
http://www.correio24horas.com.br/detalhe/salvador/noticia/livro-com-vocabulario-do-ioruba-no-candomble-sera-lancado-nesta-sexta-feira-2/?cHash=a320eb444c76548f66a47890111c3474

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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