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Salvador volta a produzir bordados das roupas usadas no candomblé

O projeto é implementado em uma rede de seis terreiros de candomblé

Publicada em 14/08/2015 15:02:39  
Foto: Secom O bordado Richelieu era uma tradição
Foto: Secom
O bordado Richelieu era uma tradição
Após a Abolição, a técnica francesa do Richelieu garantiu a sobrevivência de ex-escravas, que passaram a ganhar a vida como bordadeiras, atendendo às famílias abastadas de Salvador. Com o tempo, o bordado que está presente nos trajes cerimoniais das religiões de matriz africana e nas vestimentas típicas das baianas, deixou de ser produzido na cidade. A tradição está sendo retomada por meio do projeto ‘Richelieu e Bordados Ancestrais’, desenvolvido com apoio da Secretaria de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte do Estado (Setre). As primeiras peças produzidas serão apresentadas no próximo dia 20, às 20h, no Instituto Goethe (Icba), no Corredor da Vitória. O projeto é implementado em uma rede de seis terreiros de candomblé, capitaneados pelo Ilê Axé Ya Onira, formando o núcleo produtivo, e os núcleos comerciais com os outros terreiros, que contam com investimentos de R$ 181 mil da Setre, captados via Edital 001/2014 de Apoio aos Empreendimentos de Economia Solidária de Matriz Africana, lançado ano passado. O objetivo é resgatar, produzir e comercializar bordados antigos da Bahia, com ênfase no richelieu, técnica que cria peças semelhantes a rendas. No total, são beneficiadas 30 mulheres, a maioria integrante dos terreiros que integram o projeto. Elas aprenderam os diferentes tipos de bordados e, a partir de agora, funcionarão como multiplicadores para outros membros de suas comunidades. De acordo com o babalorixá Roberto de Iansã, que preside a Associação Filhos de Bárbara e coordena a iniciativa, a técnica estava quase em extinção na Bahia. “Atualmente, ainda temos que comprar roupas feitas nos estados de Sergipe e Ceará. Por isso, acredito que as nossas alunas tenham um campo de trabalho grande”. Ele enfatiza que, por sua importância, o projeto ganhou o apoio da Petrobras para avançar ainda mais. A coordenadora técnica de Empreendorismo Negro da Setre, Juci Santana, também destaca a importância do resgate de uma prática quase extinta no estado. “O Edital de Matriz Africana tem justamente o sentido apoiar o resgate e perpetuação da cultura. Hoje, no total, temos 54 projetos selecionados e 35 em execução, a exemplo do ‘Richelieu e Bordados Ancestrais’. Desfile e feira  Para quem ainda não conhece, a técnica do richelieu consiste em, manualmente, cortar certos espaços vazios do tecido e, entre eles, construir bordados, vazando áreas estratégicas ao redor. O nome vem do Cardeal Richelieu, uma das figuras mais poderosas da corte do rei Luis XIII (século XVII). Conta-se que, naquela época, o cardeal chegou a criar oficinas para o preparo de peças destinadas à monarquia. O desfile com peças produzidas ao longo de um ano do projeto será uma oportunidade para o público ver o resultado do trabalho e entender como uma antiga tradição francesa vem sendo resgatada, por meio das comunidades afrodescendentes baianas. No próximo dia 22, o público poderá adquirir as peças feitas pelas artesãs em uma feira que vai acontecer na sede do Ilê Axé Yá Onira, das 10 às 15h, com preços acessíveis. Nas duas iniciativas, a proposta é dar visibilidade aos primeiros trabalhos resultantes do projeto. “Acredito muito no potencial desta ação, uma vez que o richelieu hoje é usado cada vez mais, não só em trajes religiosos, mas por profissionais, que costumam utilizar peças brancas, como os da área de saúde, ou simplesmente por quem aprecia a beleza do bordado para aplicação em roupas e peças de decoração”.   Extraído do site do Jornal Tribuna da Bahia / Salvador – BA http://www.tribunadabahia.com.br/2015/08/14/salvador-volta-produzir-bordados-das-roupas-usadas-no-candomble

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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