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Sétimo terreiro é depredado em Nova Iguaçu nos últimos meses

Secretaria Estadual de Direitos Humanos acompanha casos e pede que denúncias sejam registradas por telefone

07/09/2017 19:07:51 – ATUALIZADA ÀS 07/09/2017 19:39:57

O DIA

Rio – Nos últimos meses, Nova Iguaçu registrou sete depredações a terreiros de religiões de matrizes afro-brasileiras. O último caso de intolerância religiosa no município da Baixada Fluminense aconteceu nesta quinta-feira, no barracão Ilê Asé Togun Jobi. Fotos enviadas ao WhatsApp do DIA (98762-8248) mostram a destruição do local, que teve imagens, móveis, objetos religiosos, instrumentos e artigos destruídos.

Terreiro de candomblé Ilê Asé Togun Jobi em Nova Iguaçu foi alvo de depredação movida por intolerância religiosaFOTOS: WHATSAPP O DIA

A Secretaria Estadual de Direitos Humanos (SDH) informou que outras seis denúncias foram feitas na última semana. O município tem o maior número de centros de religiões afro-brasileiras na Baixada, com 253 locais registrados. 

As vítimas prometem realizar uma manifestação na Prefeitura de Nova Iguaçu e cobram políticas públicas de Igualdade Racial e de Direitos Humanos ao prefeito Rogério Lisboa, além de um posicionamento do Ministério Público. 

A SDH acompanhou os casos e pede que os episódios de intolerância religiosa sejam encaminhados ao Disque Combate ao Preconceito, no número (21) 2334 9551. O público também pode denunciar atos preconceituosos como xenofobia, LGBTfobia, racismo, entre outros.

O secretário Átila Nunes decidiu criar o Disque Combate ao Preconceito em decorrência dos últimos casos de preconceito e intolerância que ganharam visibilidade nos últimos dias, como os ataques ao templo espiritualista Casa do Mago, vários casos de preconceito racial e também contra a população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros). “Percebemos em muitos desses casos que, inclusive, a população vulnerável, que sofre muitos desses preconceitos, não tem a quem recorrer ou, muitas vezes, não sabe seus direitos. Por isso, a criação do Disque Combate ao Preconceito.”

 

Terreiro de candomblé Ilê Asé Togun Jobi em Nova Iguaçu foi alvo de depredação movida por intolerância religiosaFOTOS: WHATSAPP O DIA

O serviço está em operação desde o dia 17 de agosto. Inicialmente, funcionará de segunda a sexta-feira, das 10h às 16h. “A pessoa que for vítima ou que quiser saber algum direito com relação a um caso de intolerância, por exemplo, pode entrar em contato”, disse Átila Nunes. Os técnicos retornarão a ligação para responder à denúncia. Dependendo da gravidade, os casos poderão ser encaminhados para a delegacia policial responsável.

Terreiro de candomblé Ilê Asé Togun Jobi em Nova Iguaçu foi alvo de depredação movida por intolerância religiosaFOTOS: WHATSAPP O DIA

Discriminação

Segundo informou o secretário, os casos de intolerância religiosa, por exemplo, aumentaram quase 40% este ano, em comparação ao ano passado. Na primeira semana de agosto, a secretaria recebeu, em cinco dias, 15 denúncias de casos de intolerância religiosa.

Terreiro de candomblé Ilê Asé Togun Jobi em Nova Iguaçu foi alvo de depredação movida por intolerância religiosaFOTOS: WHATSAPP O DIA

A central do Disque Combate ao Preconceito estava em fase de testes há duas semanas, mas devido aos recentes casos de preconceito e ao aumento no número de registros desses crimes pela Superintendência de Igualdade Racial e Liberdade Religiosa da SDH, a secretaria decidiu antecipar o atendimento.

De acordo com a pasta, de janeiro de 2016 a maio deste ano, o estado do Rio de Janeiro registrou 1.828 casos de injúria racial. As mulheres negras representam 60% do número de vítimas deste crime. O dado se baseia em estatísticas do Instituto de Segurança Pública (ISP).

Visando combater o preconceito, a SDH solicitou ao governo do estado a criação da Delegacia de Combate a Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (DECRADI), que contará com profissionais preparados para atender as vítimas de crimes de ódio.

A secretaria destacou que atos de discriminação por raça e cor são considerados crimes no Brasil desde 1989, quando entrou em vigor a Lei 7.716. Conhecida como “Lei Caó”, a lei foi proposta pelo ex-vereador Carlos Alberto Caó Oliveira dos Santos.

Com informações da Agência Brasil

 

 

Extraído da versão digital do Jornal O Dia on line / Rio de Janeiro – RJ
http://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2017-09-07/setimo-terreiro-e-depredado-em-nova-iguacu-nos-ultimos-meses.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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