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SINCRETISMO: Babalorixá comanda ritual de lavagem do pátio da Igreja do Alto da Sé, em Olinda

 

O chão foi lavado com água de colônia e pombas brancas foram soltas em nome da paz.

Publicado em 10/01/2016, às 20h41

 

Cláudia Parente | Da editoria de Cidades

 

Cerimônia foi comandada pelo babalorixá Tata Raminho de Oxóssi, que completou 80 anos no sábado Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem
Cerimônia foi comandada pelo babalorixá Tata Raminho de Oxóssi, que completou 80 anos no sábado
Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem

 

Em nome de um Carnaval mais tranquilo e pacífico, babalorixás fizeram um ritual de purificação na tarde deste domingo (10), no Alto da Sé, em Olinda. Denominado Águas de Oxalá, a tradição consiste na lavagem do pátio externo da Igreja da Sé, na Cidade Alta. Durante a cerimônia, o chão foi lavado com água de colônia e pombas brancas foram soltas em nome da paz.

A cerimônia foi comandada pelo babalorixá Tata Raminho de Oxóssi, que completou 80 anos no sábado. Antes, houve toque de clarins para chamar a atenção do grande público, espremido por trás de um gradil de proteção que impedia o acesso ao adro.

A primeira providência do babalorixá foi acabar com a separação. “Abram as grades”, ordenou. “O povo veio aqui para tomar banho de cheiro e vai tomar.” Os devotos não se fizeram de rogados e logo a multidão invadiu a área para se banhar com água de perfume e de arroz. “Pai” Raminho entou cânticos, seguindo o ritmo cadenciado dos tambores, e a multidão respondia a plenos pulmões.

Depois da lavagem, os participantes saíram em procissão, seguindo o andor de Nosso Senhor Salvador do Mundo. No sincretismo religioso, Jesus representa Oxalá. O andor estava decorado com pão, frutas e flores brancas. “O pão significa fartura na mesa; as flores, prosperidade e as flores brancas representam Oxalá”, explica o professor de dança Rafael Morais, adepto do candomblé. “Com a proximidade do Carnaval, também pedimos ao orixá evento com menos violência e mais amor no mundo.”

Atrás do andor, um grupo de yalorixás (filha de santo) conduziam uma espécie de tigela fechada, chamado de “sentamento” do orixá. “Contém coisas para nossa proteção”, explica Lurdes de Oxum, que carrega o objeto e participa do ritual há 45 anos. “O orixá que nos acompanha traz a energia da paz”, assegura.

Acompanhada por milhares de pessoas que se espremiam nas ruas estreitas do sítio histórico, esperando a passagem de blocos carnavalescos, o cortejo seguiu pela Ladeira da Sé, Rua do Bonfim, Ladeira da Misericórdia, Quatro Cantos, Rua do Amparo, Largo do Amparo, Rua do Guadalupe até chegar ao Culto Afro Nossa Senhora do Carmo, terreiro de Raminho de Oxóssi no bairro de Jardim Brasil I, no início da noite.

 

 

Extraído do site do Jornal do Commercio / Recife – PE
http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cidades/noticia/2016/01/10/babalorixa-comanda-ritual-de-lavagem-do-patio-da-igreja-do-alto-da-se-em-olinda-216161.php

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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