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Sociedade Beneficente do Culto Afro Brasileiro do Terreiro Viva  Deus AXÉ “VIVA DEUS”- ZÉ DO VAPOR

Por Mario Jorge 05.05.2016 17:20

Egbe Eran Ope Oluwá Terra Vermelha - Cachoeira - Bahia.
Egbe Eran Ope Oluwá
Terra Vermelha – Cachoeira – Bahia.

Fundado em 19 de março de 1910 -Inaugurado em 23 de junho de 1911

Reconhecido como Território Cultural Afro Brasileiro pela Fundação Palmares – D.O. da União de 25/02/2002 nos termos do artigo 215 e 216 da CFB/88

Declarado “Patrimônio Imaterial da Bahia”, pelo Decreto 15676, de 19 de novembro de 2014, publicado no D.O.E. da Bahia, de 20 nov 14.

 

O Axé “Viva Deus” foi fundado por José Domingos de Santana – Zé do Vapor -, nascido na cidade de Santo Amaro da Purificação em 05 de maio de 1870.

O Terreiro, localizado a cerca de 6 Km do centro do município de Cachoeira, possui cerca de 37.000 m2. Cachoeira, célebre cidade do Recôncavo Baiano, é berço de inúmeras tradicionais casas religiosas de tradição Nagô, Jeji e Congo-Angola, além de uma notável importância histórica desde os primórdios da colonização.

Zé do Vapor ou José do Vapor, era assim chamado por ter exercido a função de cozinheiro no “Vapor de Cachoeira”, navio  que fazia a rota entre Salvador e o porto de Cachoeira. Foi iniciado para o Orixá Ogun por Mariana “Africana”, de Oxum. Segundo tradição oral, Mariana “Africana”, pertencia ao Terreiro “Língua de Vaca”, tradicional casa religiosa de Ijexá, dirigida por Maria Júlia da Pureza (Júlia Bukan), na cidade de Salvador.

Zé do Vapor estabeleceu o Axé “Viva Deus” em Terra Vermelha, Zona Rural de Cachoeira, depois de receber as terras como gratidão por uma cura realizada em familiar de expoente e tradicional família Cachoeirana e que estava desenganada pela medicina tradicional.

Zé do Vapor foi contemporâneo de várias figuras célebres do candomblé Cachoeirano, como Ventura, Olegário, Purunga, Tio Salakó, Faustino Catuaba, Domingos “do fato” e Justino.

Originalmente a tradição implantada por Zé do Vapor foi a Nagô-Vodun, muito comum na região e que aliava a tradição do Orixás com o culto do Vodun, que era muito marcante na região.

Com o falecimento de Zé do Vapor em 7 de julho de 1938, assume a direção da roça sua filha de Santo Iya Teófila Barbosa, de Oxum, porém, devido a compromissos com sua casa religiosa em Salvador, no Alto do Peru, fica pouco tempo a frente da Roça.

Assim, assume a direção da roça com o cargo de Babalaxé Misael Ribeiro dos Santos, de Oya. Nascido em 7 de março de 1913, era profundo conhecedor das tradições Nagô-Vodun e Congo-Angola, conforme relatado em matéria transcrita no Jornal “Folha do Norte”, de Feira de Santana, em 1939.

O Babalaxé Misael fica a frente da roça até 1981, quando assume Luiz Sergio Barbosa, de Oxalá, também com o título de Babalaxé.

Babalaxé Luiz Sergio nasceu em 24 de fevereiro de 1919, e em 1922 teve o primeiro contato com a Roça, quando foi levado por sua mãe carnal, Iya Teófila de Oxum. Foi iniciado em 13 de janeiro de 1936, por Zé do Vapor, estando com 17 anos de idade.

Suas iniciativas frente a Instituição nos anos que sucederam a década de 80, renovaram toda a estrutura física da casa, realizando inúmeras construções e reformas, agregando valor ao nome do Axé “Viva Deus”.

Presidiu a cerimônia do Centenário do Axé “Viva Deus” e que foi realizada em 16 de janeiro de 2011, perante inúmeros filhos da casa de diversas regiões da Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro e Sergipe.

Com o falecimento do Babalaxé Luiz Sergio Barbosa em 20 de outubro de 2012, a roça encontra-se sob a direção provisória de um conselho de sacerdotes.

Descendem da casa raiz, na cidade do Rio de Janeiro, o Ilê Axé “Awon Omo Eledumare”, no Bairro de Campinho, dirigido pela Iyalorixá Kajaidê de Oxalá e, ainda, Ilê de São Lázaro, no bairro da Penha, dirigido pela Iyalorixá Elza de Omolu, porém, com toda a certeza, existem muitas outras ainda, espalhadas pelas demais unidades da União.

Historicamente, o Axé “Viva Deus possui um ramo de sua descendência, tradicionalmente Nagô-Vodun, na tradição Congo-Angola e que ocorreu na primeira descendência da raiz original relacionado a um filho de santo de Zé do Vapor de nome Feliciano.

Está relatado pelo Professor Dr. Sérgio Paulo Adolfo que o Sr. Feliciano Alves dos Santos, conhecido como “Olissasi”, iniciado por Zé do Vapor, e fundador em 1946 de terreiro também com o nome “Viva Deus”, adotou essa tradição, tendo em vista estreito contato com Maria Genoveva do Bonfim (Maria Neném), mãe de santo de sua primeira “nengua”.

 

Conheçam um pouco mais sobre as casas Nagô e Jeje em Cachoeira e São Félix, baixando gratuitamente o livro nesse link:

https://drive.google.com/file/d/0B3D0pMS8V_3senZGbHlZZy1YQlk/view

 

 

Alagbê Mario Jorge Souto

Ogan do Ilê Axé “Awon Omo Eledumare” – Campinho – Rio de Janeiro

Rio – 2016

IMAGENS

O FUNDADOR
O FUNDADOR

 

Egbe Eran Ope Oluwá Terra Vermelha - Cachoeira - Bahia.
Egbe Eran Ope Oluwá
Terra Vermelha – Cachoeira – Bahia.

O TERREIRO “VIVA DEUS” – CACHOEIRA – BAHIA

 INTERIOR DO TERREIRO "VIVA DEUS"- CACHOEIRA - BAHIA

INTERIOR DO TERREIRO “VIVA DEUS”- CACHOEIRA – BAHIA
VISTA DA ENTRADA DO TERREIRO "VIVA DEUS" - CACHOEIRA - BAHIA
VISTA DA ENTRADA DO TERREIRO “VIVA DEUS” – CACHOEIRA – BAHIA
IYALORIXÁ KAJAIDÊ DE OXALÁ E BABALAXÉ LUIZ SERGIO EM VISITA AO RIO DE JANEIRO EM 2005.
IYALORIXÁ KAJAIDÊ DE OXALÁ E BABALAXÉ LUIZ SERGIO EM VISITA AO RIO DE JANEIRO EM 2005.
ENTRADA DO ILÊ AXÉ "AWON OMO ELEDUMARE" - CAMPINHO - RIO DE JANEIRO
ENTRADA DO ILÊ AXÉ “AWON OMO ELEDUMARE” – CAMPINHO – RIO DE JANEIRO
BABALAXÉ LUIZ SERGIO E ALAGBÊ MARIO JORGE SOUTO
BABALAXÉ LUIZ SERGIO E ALAGBÊ MARIO JORGE SOUTO

 

Fonte: Mario Jorge Souto – Alagbê

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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