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Sumé: Religiosos dizem que é “desrespeito” chamar suspeito de matar criança em sumé de pai de santo

 

Representantes do candomblé consideram que a forma como o caso foi tratado contribui para o preconceito contra adeptos de religiões de matriz africana

FONTE: Portal Correio
20/10/2015 às 09h43 – Atualizada em 20/10/2015 às 09h43

 

Criança foi morta em ritual de magia negra
Criança foi morta em ritual de magia negra

Na terça-feira (13) um crime bárbaro ocorrido no interior do estado chocou os paraibanos e ganhou destaque nacional. Um menino de cinco anos foi assassinado, teve o corpo aberto e órgãos cortados em pedaços em um ritual de magia negra, no município de Sumé (Cariri paraibano, a 264 km de João Pessoa). Segundo a polícia, a mãe e o padrasto da criança participaram do ritual, que teria sido conduzido por um suposto pai de santo. Uma semana após o crime, o Portal Correio ouviu representantes do candomblé e eles foram taxativos: o suspeito não pode ser considerado membro de nenhuma religião de matriz africana.

“Nenhuma religião de matriz africana faz esse tipo de ritual. Nós cultuamos o respeito à natureza. Somos conhecidos como pais e mães de santo, mas na verdade somos zeladores. Então, como poderíamos fazer mal àqueles que nos procuram? Àqueles que devemos zelar? É inaceitável e desrespeitoso que esse homem seja considerado da nossa religião. Ele não é. Ele não nos representa de forma alguma”, defendeu a iyalorixá Tuca.

A opinião também é compartilhada pelo babalorixá Gilberto. Ele é sacerdote há mais de 30 anos e um dos organizadores da festa de Yemanjá, o evento candomblé de maior tradição em João Pessoa.

“Posso garantir que não existe sacrifício humano dentro do candomblé. Desconheço essa prática e esse homem não pode ser chamado de pai de santo. O candomblé não realiza rituais visando o mal das pessoas”, garantiu o líder religioso.

O babalorixá Léo também não concorda que o suspeito e o fato tenha tido relação com religiões africanas. “O comportamento do suspeito mostra que ele não tem nenhum conhecimento sobre orixás e cultura africana, não tem cultura religiosa. Uma pessoa que faz isso contra uma criança não tem alma, cultura e espiritualidade. Não tenho nem palavras para classificar uma pessoa dessa”.

Umbanda

Segundo o babalorixá Léo e a iyalorixá Tuca, o ritual macabro que vitimou a criança em Sumé também não pode ser confundido com práticas da umbanda. De acordo com os líderes religiosos, a umbanda é uma religião “ainda mais pura que o candomblé” e jamais permitiria qualquer tipo de agressão contra seres humanos.

Preconceito

Os três representantes do candomblé ouvidos pelo Portal Correio consideram que a forma como o caso foi tratado contribui para o preconceito contra adeptos de religiões de matriz africana.

Eles destacam que a maioria das pessoas têm pouco conhecimento sobre o candomblé e a umbanda e acabam acreditando em mitos que envolvem essas religiões.

 

Extraído do portal da TV Cariri / Monteiro – PB
http://www.portaltvcariri.com.br/noticia/1320/religiosos-dizem-que-e-desrespeito-chamar-suspeito-de-matar-crianca-em-sume-de-pai-de-santo.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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