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Suposta agressão a bebê em ritual de candomblé vira caso de polícia na Capital

A mãe de um bebê de 1 ano e 6 meses registrou um boletim de ocorrência por lesão corporal, durante um ritual de iniciação da criança ao candomblé, em um centro da religião em Campo Grande. Ela alegou à polícia que a criança ficou em cárcere privado durante sete dias e no final teve os cabelos raspados, o que teria lhe causado ferimentos.

Consta na denúncia feita pelo MPE (Ministério Público Estadual), que o bebê ficou trancado com o pai de santo, e demais membros do centro, durante uma semana. E que durante esse tempo houve lesões à criança durante banhos de ervas e raspagem dos cabelos, no final do ritual de iniciação.Devido ao fato, a polícia abriu um TCO (Termo Circunstanciado de Ocorrência). O pai de santo, de 36 anos, já prestou depoimento à DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente) e disse que conhece a mãe da criança há 15 anos. Ele garante que não houve agressão alguma ao bebê.

Segundo o pai de santo, a mãe era frequentadora do centro e pediu, no ano passado, para morar no local até que ganhasse o bebê. Após ela ganhar a criança, ele permitiu que ela continuasse morando na casa.

Conforme o pai de santo, quando o bebê completou sete meses, a mãe pediu para que ele fosse iniciado no candomblé.  O ritual foi feito com um ‘banho de ervas’ como alecrim, alfazema e manjericão, durante orações. Ele nega, no entanto, que em algum momento o bebê tenha ficado sem alimentação ou trancado.

O pai de santo também apresentou à polícia uma declaração em que a mãe do bebê autoriza o ritual de iniciação.

Beijo e ciúmes

O companheiro do pai de santo, um estudante de 20 anos, também prestou depoimento na delegacia. Ele confirmou o depoimento do parceiro e disse que o ritual foi feito apenas com banho de ervas. Ele disse que era quem proferia as orações e limpava o local, após os procedimentos.

O rapaz falou que o companheiro havia feito a iniciação com outras crianças e que no sétimo dia é habitual a raspagem dos cabelos. Mas, que mesmo assim foi perguntado à mãe se podia praticar o ato.

De acordo com o estudante, a mãe autorizou a raspagem e ainda permaneceu durante todo o batismo. No final , ela viu que não havia nenhum ferimento na criança. Ele acredita que a mulher registrou o boletim de ocorrência por vingança, depois que viu os dois se beijando e foi mandada embora da casa pelo pai de santo.

O presidente da (Federação dos Cultos Afro-brasileiros e Ameríndios do Mato Grosso do Sul), Irbes Santos, confirmou que a iniciação da criança na religião é uma forma de batismo, quando ela é apresentada aos orixás. Disse que a polícia deve ‘fazer sua parte’ se realmente houver lesão corporal, e que a federação está à disposição para qualquer esclarecimento.

Ele também deu dicas à população quanto ao assunto. “As pessoas precisam saber se as casas que estão frequentando possuem registro na federação. Existem muitas pessoas trabalhando no anonimato, por isso acontece esse tipo de situação, ou até mesmo a pessoa não possui conhecimento sobre a religião. Se for confirmada a agressão ao bebê daremos todo o apoio necessário à família envolvida”, finalizou.

O caso foi registrado na DEPCA e está sob responsabilidade do delegado titular da delegacia Sérgio Lauretto, que investiga as circunstâncias do fato.

 

Extraído do site Midiamax, do Jornal Diário de Mato Grosso do Sul / Campo Grande – MS
http://www.midiamax.com.br/policia/outro-caso-suposta-agressao-bebe-ritual-candomble-vira-caso-policia-291342

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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