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Tem Santo Antônio, tem São Pedro e São João!

PorBruno Viterbo

Postado em 8 de junho de 2017

 

Estamos em junho: é tempo de festa, vinho quente, pé-de-moleque, quentão e todos os sabores e ritmos das festas juninas. Que, aliás, estendem-se até julho – para aproveitar as férias da garotada – e, algumas, aproveitam o mês de agosto para festejar.

Tradicionalmente, o Brasil celebra as festas juninas em devoção aos santos. Mas não é só por aqui que o mês é cercado de alegria: em outros países – como Noruega e Irlanda – junho é a “celebração do meio do verão”, já que essas nações estão no Hemisfério Norte começam a curtir a estação mais quente do ano, enquanto nós, a mais gelada.

Deu para perceber que há algo em comum entre as comemorações, ali e acolá: sol, calor, fogo, fogueira… É tempo de São João! O dia 24 de junho é a data do santo católico, mas por aqui também celebramos outros santos: Santo Antônio, no dia 13; e São Pedro, em 29 de junho.

Mas falar de todas essas características religiosas predominantemente europeias não faz sentido se não falarmos do sincretismo religioso no Brasil. País de raças miscigenadas – mas ainda estruturalmente racista – tem nas religiões afro e afro-brasileiras mais formas de pedir as bênçãos aos santos e celebrá-los: seja no Catolicismo, seja na Umbanda, seja no Candomblé.

Os negros escravos trouxeram da mãe África seus costumes e ritos. Em solo brasileiro buscaram manter sua identidade – que ultrapassa gerações – por meio, também, da religião. No entanto, os riscos eram grandes: por conta do preconceito, as manifestações religiosas dos negros eram perseguidas pela branca e católica coroa portuguesa. Onde ficariam os Orixás protetores dessa gente?

A saída foi encontrar características comuns dos santos nos Orixás. E, assim, sincretizado na fé e carregado de axé, surgia a mistura das duas religiões formadoras da identidade brasileira. Por aqui, São João é sincretizado com Xangô, Orixá da Justiça – que também é relacionado com São Jerônimo. Essa “mistura” com várias definições se dá pelo número menor de Orixás em relação aos santos católicos. São Pedro também é relacionado a Xangô. Já Santo Antonio, o “santo casamenteiro”, é sincretizado com Ogum, o Orixá guerreiro, na Bahia. Em outros lugares, é relacionado com o Orixá comunicador Exu.

Agora que você já sabe um pouco de nossa mistura de crenças, clique AQUI e confira algumas das festas que vão rolar na Zona Norte. Ah, e outra coisa: no próximo dia 15 é celebrado o Corpus Christi – Cristo é sincretizado com Oxalá, o Orixá da Paz.

arte: José Luiz

 

 

Extraído do site do jornal SP Norte / São Paulo – SP
https://www.jornalspnorte.com.br/tem-santo-antonio-tem-sao-pedro-e-sao-joao/

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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