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Terreiro de candomblé é depredado em Valparaíso, Goiás

10.03.2016 – 18:41

Centro Espírita Afro-Brasileiro Ilé Axé Iemanjá Ogum Té foi totalmente depredado. É o oitavo ataque a templos de religiões de matriz africana em oito meses no Entorno de Brasília. (Foto: Fundação Cultural Palmares)
Centro Espírita Afro-Brasileiro Ilé Axé Iemanjá Ogum Té foi totalmente depredado. É o oitavo ataque a templos de religiões de matriz africana em oito meses no Entorno de Brasília. (Foto: Fundação Cultural Palmares)
A Fundação Cultural Palmares recebeu mais uma denúncia de barbárie e intolerância religiosa nesta quarta-feira (9). O ato de ódio foi praticado contra o Centro Espírita Afro-Brasileiro Ilé Axé Iemanjá Ogum Té, localizado em Valparaíso, Goiás. O terreiro de candomblé foi invadido e completamente depredado.
Segundo Noêmia Ferreira, responsável pelo terreiro, o ataque foi realizado na sua ausência, possivelmente entre os dias 7 e 8 março. Isso porque um quebra-quebra durante esta madrugada foi ouvido e relatado por vizinhos posteriormente.
Mãe Noêmia, como é conhecida, estava viajando e, ao chegar ao local na noite do dia 8, encontrou seu portão acorrentado. Com esforço e ajuda de seu marido, conseguiu rompê-lo. Por trás dele, deparou-se com o caos. Sua casa e o barracão que abrigava os objetos sagrados e os altares foram completamente destruídos. As paredes estavam todas no chão.
“Moramos em um país que oficialmente nos dá o direito de sermos o que bem quisermos. Portanto, ninguém tem o direito de invadir e destruir a casa alheia, principalmente quando se trata de uma casa religiosa. Essas pessoas destruíram algo que era sagrado para mim, algo intimamente ligado com os meus ancestrais, minhas raízes e crenças. A dor que senti no momento em que me deparei com aquela destruição foi profunda”, relata.
Acompanhados pela Fundação Cultural Palmares, os denunciantes registraram o Boletim de Ocorrência na 2ª Delegacia de Polícia de Valparaíso (GO). Os responsáveis pelo crime, entretanto, ainda não foram identificados.
“Ainda estou profundamente abalada com esse ataque. Só espero que a justiça seja feita. Estou reunindo forças para me reerguer e reerguer minha casa. Tenho que dar a volta por cima”, diz Mãe Noêmia, que vive no local há mais de 15 anos.
Desde agosto de 2015, casas, barracões e terreiros de matriz africana vêm sendo sistematicamente atacados no Entorno de Brasília, no Estado de Goiás. O ataque ao terreiro Ilé Axé Iemanjá Ogum Té foi o sétimo atentado caracterizado como crime de intolerância religiosa na região no período de oito meses.

Mapeamento e institucionalização

No início deste mês, representantes do Ministério da Cultura, Fundação Palmares e Governo do Distrito Federal reuniram-se para a articulação e planejamento  de um mapeamento cultural das casas de candomblé e umbanda do DF. A iniciativa tem como intuito registrar casas e terreiros de matriz africana e afro-brasileira da região, a fim de, tal qual um levantamento censitário, identificar quem são, quantos são e onde se encontram os espaços e as pessoas adeptas dessas religiões.
“Efetivando-se o trabalho de mapeamento das casas de umbanda e candomblé do DF, pode-se estar dando início a uma política pública que se torne referência para outras unidades federativas”, lembrou na ocasião Cida Abreu, presidenta da Fundação Palmares.
De acordo com a Fundação Palmares, o mapeamento cultural deverá aprofundar e ampliar os trabalhos iniciados pelo Inventário Nacional de Referências Culturais (INCR) de Lugares de Culto de Matrizes Africanas e Afro-brasileiras no Distrito Federal e Entorno, desenvolvidos pelas Superintendências do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) no Distrito Federal e em Goiás. O inventário em questão teve apenas caráter amostral.
Para Mãe Baiana, coordenadora de Proteção ao Patrimônio Afro-brasileiro da Fundação Palmares, ataques como o denunciado nesta terça-feira explicitam ainda mais a urgência de um mapeamento desses centros. “Não podemos mais tolerar ataques como esses, que já vêm acontecendo há muito tempo. O mapeamento desses terreiros trará uma institucionalização fundamental para a segurança desses espaços. Esse registro vai empoderar esse povo”, afirma ela, que já foi vítima de atentado semelhante. [http://goo.gl/ig2aJX]
Para a realização desse mapeamento, os envolvidos criarão ainda uma portaria que formalizará o grupo de trabalho responsável pelos procedimentos e metodologias que deverão ser adotados para a sua efetivação.

Denuncie

A Lei 7.716, de 5 de janeiro de 1989, pune com pena de reclusão de dois a cinco anos quem cometer crime de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Pode-se fazer denúncias em delegacias comuns ou nas especializadas em Crimes Raciais e Delitos de Intolerância.
Por telefone, é possível ligar para o Disque 100, que é gratuito e pode ser feito de forma anônima. As ligações podem ser realizadas de qualquer lugar do Brasil, a partir de telefone fixo ou celular, 24h por dia, sete dias por semana. Na internet, alguns canais de denúncia oficiais são http://denuncia.pf.gov.br/; http://new.safernet.org.br/denuncie  e http://cidadao.mpf.mp.br.
Cristiane Nascimento
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura
Extraído do site do Ministério da Cultura / Brasília – DF
http://www.cultura.gov.br/noticias-destaques/-/asset_publisher/OiKX3xlR9iTn/content/id/1329594

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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