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Terreiro do Recife celebra 70 anos de tradição do candomblé com banquete

Festa é para o Amalá de Xangô, o Banquete do Rei, feito pelo Nagô de PE.
Comemoração tem rituais e comidas tradicionais no terreiro de Mãe Amara.

Do G1 PE | 20/06/2015 14h46 – Atualizado em 20/06/2015 14h46

 

É celebrado neste sábado (20) o aniversário de 70 anos de uma tradição do candomblé reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural dos Povos e Comunidades. O aniversário é do Amalá de Xangô, conhecido como Banquete do Rei, que é promovido pela tradição Nagô de Pernambuco. E a festa é no terreiro de Mãe Amara, o Ilê Obá Aganjú Okoloyá, localizado no bairro de Dois Irmãos, na Zona Oeste do Recife.

A comemoração começou cedo e se estende até as 22h com muita música, dança e rituais típicos do candomblé. Para fazer jus ao nome da tradição, também não falta comida, como mostrou o NETV 1ª edição deste sábado. O banquete foi preparado por Vera Baroni, com 200 quilos de carne, 100 de camarão, 50 de farinha de mandioca e 10 mil quiabos. Por tradição, o preparo é sempre na cozinha do terreiro, reconhecida como espaço sagrado para o preparo dos alimentos.

Segundo Vera, tudo foi transformado em dois pratos típicos africanos, que são ofertados ao rei Xangô: o amalá e o beguiri. O amalá é um caruru de quiabos, feito à base de farinha de mandioca com água quente e servido ainda em alta temperatura. Já o beguiri tem uma base de quiabos, castanha, amendoim, camarão e carne bovina. É regado com muito azeite de dendê e temperado com pimenta, sal, cebola e cebolinha.

Os dois pratos são preparados e servidos em um ritual. Nos terreiros, ainda são ofertados ao orixá Xangô por serem associados à força. “Esta é a comida da fartura, da alegria. É a comida que nos dá força, através do fogo para lutar, por justiça”, diz Vera. O banquete ainda conta com um bolo destinado a Xangô. O quitute é decorado com uma bandeira de São João, que é associado pelas religiões africadas ao orixá.

Festa
Preparados o amalá e o beguiri, teve início a festividade do Amalá de Xangô – O Banquete do Reino no terreiro de Mãe Amara. A cerimônia começou com o babalorixá Pai Júnior saindo da cozinha e caminhando em direção ao salão do terreiro. Depois disso, começaram as danças e os rituais do candomblé.

O terreiro se encheu de gente, desde cedo, para a festa. “Quando Xangê chega, toda a comunidade vem reverenciá-lo”, explica o Pai Júnior. Aos 89 anos, mãe Amara acompanhou tudo ao lado dos filhos. “É maravilhoso. Não tenho nem palavras para dizer a importância de celebrar os 70 anos do banquete e ter minha mãe viva rendendo homenagem a Xangô”, comemora Maria Helena.

 

 

Extraído do portal de notícias G1 / Recife – PE
http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2015/06/terreiro-do-recife-celebra-70-anos-de-tradicao-do-candomble-com-banquete.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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