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Terreiro em Salvador se inspira no Benin para realizar ato religioso

Uma cerimônia cheia de alegria e que reafirma a religiosidade e a tolerância. Com esse pensamento o Terreiro Vodun Zo, da Nação Vodun Savalu, dirigido por Doté Amilton Costa, realizou um ‘Agabasa’ – semelhante ao batismo católico – primeiro que até então se tem notícia dentro de um terreiro de candomblé no país.

O ritual, cheio de simbolismo, foi a concretização do sonho de Leonel Monteiro, 44 anos, e Sandra Monteiro, 35 anos, pais da pequena Adunni, de sete anos.  Ele, presidente da Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro-Amerindia, AFA, e Ogan de Osanhe e filho de Oxossi no Ilê Axé Oxumarê, e a esposa, iniciada de Oxaguiyan no Ilê Axé Araka Togun, tiveram na religião afro o ponto de partida para a história de amor que gerou a menina.

Segundo Leonel, como candomblecistas convictos, eles entenderam que a realização do ritual dentro do candomblé ia muito além que uma simples opção, mas um ato de amor e respeito às origens, tradições e aos Vodun. “Com isso estamos dizendo não ao racismo, não à discriminação e a opressão. Optamos por realizar este ato de ‘Agabasa’ no Terreiro Kwe Vodun Zô, de Nação Vodun Savalu, dirigido por Doté Amilton Sacramento, pois sendo este iniciado de “Sogbo” e a nossa filha Adùnni, iniciada de Airá, há toda uma relação de mesmo fundamento do Vodun (Orixá)”, revela.

A cerimônia teve o salão do terreiro lotado. Entre os padrinhos, o chefe de gabinete da Prefeitura de Salvador, João Roma, e a chefe da Codesal, Maria Luiza Oliveira da Silva. Também estiveram presentes o secretário de Promoção Social Mauricio Trindade.

Leonel Monteiro também faz algumas observações quanto a escolha do terreiro para a cerimônia. “Além disto o Terreiro, fundado há mais de 50 anos, tem toda tradição fincada no Culto aos Vodun na linhagem do Savalu, o que é muito raro. Vale destacar que o Doté Amilton, além de todo o seu conhecimento, também manteve contato com Africanos, do Benin, que o orientaram a cerca de todo o ritual que envolve o batismo no Candomblé.  Esse é o primeiro ‘Agabasa’, que temos notícias, realizado num Templo Afro-Religioso”.

Segundo Doté Amilton Costa, o ‘Agabasa’, ou batismo, é renovado a cada obrigação. “A cabeça é o caminho. Há elementos que se utilizam como a água, que é considerado sagrado. Somos gerados numa bolsa d’água, sem ela não há vida. Há ainda o Obi, fruto sagrado essencial na cerimônia. Entrei em contato com amigos meus africanos que estão na região do Benim e eles me orientaram para fazer essa cerimônia”, explica.

Publicada em 16/12/2013 09:50:25

Extraído do site Tribuna da Bahia:

http://www.tribunadabahia.com.br/2013/12/16/terreiro-em-salvador-se-inspira-no-benin-para-realizar-ato-religioso

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Ilé Asé Omin Oiyn, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Hoje, é editor do Jornal Awùre. Diretor Financeiro da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. Colabora com a assessoria de comunicação do PPLE - Partido Popular da Liberdade de Expressão Afro-Brasileira. É sócio diretor na agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras.

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