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Terreiro ‘Migrante’ completa 130 anos


Carlos Nobre | 08/03/2016 11h24

Fundado, em 1896, pela mãe-de-santo Anna Eugênia dos Santos (1869-1938), a Mãe Aninha, na Pedra do Sal, bairro da Saúde, o terreiro Ilé Axé Opô Afonjá, está completando 130 anos.

mae_aninhaTrata-se de casa tradicional religiosidade africana- uma das mais antigas do Brasil – e que teve sete endereços diferentes até fixar-se definitivamente em Coelho da Rocha, em São João do Meriti, Baixada Fluminense.

Para comemorar o feito, o sociólogo e filho-de-santo da casa Ed Machado, lançou semana passada, no Renascença Clube, no Andarai, o livro “Ilé Axé Opô Afonjá: da Pedra do Sal até Coelho Rocha”(Editora Metanoia, 104 páginas).

A obra mostra a trajetória de criação do famoso terreiro na Pedra do Sal, que, na época, era conhecido por ser reduto das chamadas “tias baianas”, entre elas, a famosa Hilária Batista de Almeida (1854-1924), a Tia Ciata, que abrigou na sua casa destacadas rodas de samba.

Depois da fundação do terreiro no Rio de Janeiro, Mãe Aninha, que era baiana, também criou outro Axé Opô Afonjá, em 1910, no bairro São Gonçalo do Retiro, periferia de Salvador. Este acabou se projetando internacionalmente.

O Axé Apô Afonjá de Coelho da Rocha não conquistou a fama de seu co-irmão baiano mas continuou forte e ativo nos endereços nos quais manteve sua sede,

Segundo Ed Machado, em viagem ao Rio de Janeiro, em 1896, Mãe Aninha ficou abrigada em casas de conterrâneos que migraram para o Rio de Janeiro antes da abolição. Ali, ela acabou iniciando no culto várias pessoas. Ela voltou para Salvador, e por duas vezes, veio conferir como se encontravam o primeiro Axé Opô Afonjá.

Em 1925, o terreiro foi transferido da Pedra do Sal para Rua São Luiz Gonzaga, 49, em São Cristovão. Depois, passou pelos seguintes lugares: Rua Felipe Camarão, 23, São Cristovão (1930) ; Rua Barão de Mesquita, 494, Tijuca (1932); Rua Senador Alencar, 22, São Cristovão (1938); Rua Bela, 22, São Cristovão (1942) e Rua Agripina de Souza, 1029, Coelho da Rocha, São João do Meriti (1944).

A obra já está à venda nas livrarias.

Trechos do livro:

capa_do_livro_axeCASA DA FORÇA
“Com o nascimento espiritual de seus primeiros filhos na Pedra do Sal, estava naquele instante fundado o primeiro e atuante terreiro de candomblé do Rio de Janeiro que veio ser chamado de Axé Opô Afonjá cujo significado em português é; Casa da Força sustentada por Xangô.”

AMIGOS
“Fazer amigos era também uma rotina na vida de Mãe Aninha, sem dúvida possuía grande habilidade para isso, que segundo nos contam, foi sempre rodeada de intelectuais e por pessoas de altos níveis da sociedade. No retorno ao Rio de Janeiro em 1930 conheceu outras pessoas que tornaram se amigos, e desempenharam importante papel no funcionamento do terreiro”.

FESTAS
“Dentre seus filhos, clientes, visitantes, o Axé contava com pessoas de grandes posses e confortável vida financeira, bem como, de relevante posição social, alguns intelectuais e outros representantes da alta sociedade carioca. As festas do calendário litúrgico, as procissões, as cerimônias religiosas que marcavam a vida dos filhos de Orixá, as obrigações, as confissões feitas a Iyalorixá e os cânticos, bem como as práticas de caridade “cristã” pautavam a vida dos iniciados”.

 

 

bio_carlosnobre_blogCarlos Nobre

CULTURA AFROBRASILEIRA. Carlos Nobre é jornalista, pesquisador e professor do Departamento de Comunicação da PUC-Rio. É mestre em Ciências Penais pela Universidade Cândido de Mendes. Autor de oito livros sobre discriminação racial, segurança pública e cultura afrobrasileira. Foi autor e coordenador da Coleção de Livros Personalidades Negras da Editora Garamond(RJ).

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.

 

Extraído do blog do Jornalista Sidney Rezende / São Paulo – SP
http://www.sidneyrezende.com/noticia/260826+terreiro+migrante+completa+130+anos

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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