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Terreiro na Baixada recebe princesa nigeriana que quer disseminar a cultura iorubá no país

Publicado em01/12/16 06:00

 

Na chegada ao terreiro, a princesa nigeriana Arewa recebeu um buquê de flores de Mãe Lina de Oxumarê Foto: Cléber Júnior / Extra
Na chegada ao terreiro, a princesa nigeriana Arewa recebeu um buquê de flores de Mãe Lina de Oxumarê Foto: Cléber Júnior / Extra

Cíntia Cruz

 

Não foi na África, mas as cores, o som dos atabaques e a alegria eram parecidos. O terreiro Axé Ilê Iyami, mais conhecido como Axé Bamboxê, no Parque Eldorado, em Santa Cruz da Serra, Caxias, recebeu ontem uma visita internacional. A princesa nigeriana Arewa Folashade Adeyemi, da família real de Oyo, foi conhecer a casa de santo histórica, que está há 50 anos na cidade.

— Ficamos muito felizes, mas também muito nervosos porque tínhamos pouco tempo para organizar tudo — observou Mãe Lina de Oxumarê, responsável pelo terreiro.

Recepcionada por Mãe Lina e cerca de 50 pessoas que compõem a família de santo do terreiro, a princesa dançou e assistiu a uma cerimônia religiosa. Mas sua visita foi além. Feminista, ela quer empoderar as brasileiras e promover a cultura nigeriana no país.

— O primeiro passo seria organizar uma comitiva de ialorixás até Oyó para falar com o rei e o ministro da Cultura. Depois, devemos procurar o Ministério da Cultural do Brasil com uma carta oficial e apresentar nossos interesses para fazer um convênio — avaliou a princesa, que é muçulmana.

Princesa africana participou de uma dança religiosa com filhos de santo do terreiro de Caxias Foto: Cléber Júnior / Extra
Princesa africana participou de uma dança religiosa com filhos de santo do terreiro de Caxias Foto: Cléber Júnior / Extra

A ideia é ter uma casa de cultura da Nigéria, nos moldes da Casa de Cultura Awera, que ela criou há três anos em Oyo. Ela reconheceu ainda que o Brasil é um dos países que mais difundiu a cultura iorubá, principalmente por seu papel na diáspora africana. Para a princesa, conhecer a cultura também pode ajudar no combate ao preconceito que religiões de matriz africana sofrem:

— As pessoas não deveriam seguir nenhuma religião sem conhecer sua cultura ancestral. Só a educação pode combater o preconceito.

A visita de Arewa ao terreiro foi intermediada por Iyá Rosângela D’Yewa, da Aldeia Oloroke Ti Efon, que na última segunda-feira recebeu a Medalha Pedro Ernesto, da Câmara do Rio. Já a princesa recebeu moção honrosa com outras sacerdotisas de religiões de matriz africana.

— Trouxe a princesa para a Baixada porque esse terreiro é uma tradição iorubá, tem a preservação da cultura no Brasil. O Xangô que aqui é plantado foi trazido da África — avaliou Iyá Rosângela D’Yewa.

Mãe Lina de Oxumarê com seus filhos e o grupo que recepcionou a princesa Foto: Cléber Júnior / Extra
Mãe Lina de Oxumarê com seus filhos e o grupo que recepcionou a princesa           Foto: Cléber Júnior / Extra

Engajada no movimento feminista

A princesa Arewa Folashade Adeyemi é filha do Alaafin (rei) de Oyo, Oba Olayiwola Lamidi Adeyemi III. Ela diz ter aproximadamente 40 irmãos e é uma das mais velhas. O pai é oficialmente casado com dez mulheres e vive com todas em seu palácio.

Arewa cresceu e estudou nos Estados Unidos, onde formou-se em marketing e negócios. Trabalhou na área por muitos anos até retornar à Nigéria, onde engajou-se no movimento feminista e na política. Em 2005, tornou-se diretora da ONG Gender and Development Action (Gada), que significa Ação de Gênero e Desenvolvimento.

Dedicou-se, nos últimos sete anos, à promoção da cultura iorubá, pela qual se diz apaixonada, criando exposições sobre o tema. Aos 51 anos, participa ativamente de conferências internacionais e seminários, sempre representando seu pai e a Casa de Cultura Arewa.

 

Extraído do site do Jornal Extra on line / Rio de Janeiro – RJ
http://extra.globo.com/noticias/rio/terreiro-na-baixada-recebe-princesa-nigeriana-que-quer-disseminar-cultura-ioruba-no-pais-20569799.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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