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Terreiro Roça do Ventura é o sétimo a ser tombado pelo Iphan

Mariana Tokarnia – Agência Brasil | 04.12.2014 – 19h57 | Atualizado em 05.12.2014 – 08h29

 

O Terreiro Zogbodo Male Bogun Seja, também conhecido como Roça do Ventura, localizado em Cachoeira, na Bahia, passou a ser considerado nesta quinta-feira (4) Patrimônio Cultural do Brasil. Ele foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O Roça do Ventura é sétimo terreiro no Brasil e o sexto na Bahia a receber a qualificação e, a partir de agora, estar sob proteção legal.

“O terreiro tem uma particularidade, apresenta com clareza a distribuição das funções rituais no terreno natural, coisa que os terreiros urbanos perderam muito. Os terreiros em geral têm imenso valor, mas foram sendo apertados pelas construções e perderam espaço”,  disse a presidenta do Iphan, Jurema Machado. “O tombamento, além de proteger a integridade do imóvel, garante que ele não seja invadido ou o espaço seja ocupado”, acrescentou.

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Segundo o Iphan, o Terreiro Zogbodo Male Bogun Seja Unde é responsável pela preservação de umas das tradições religiosas de matriz africana, da liturgia do candomblé de nação Jeje-Mahi, originária nos cultos às divindades chamadas Vodum. O Seja Unde tem fundamental importância na conformação da rede de terreiros do Recôncavo Baiano e sobretudo para a formação do candomblé como uma instituição religiosa.

A solicitação para o tombamento da casa de candomblé matricial de tradição Jeje-Mahi foi feita pela presidenta da Sociedade Religiosa Zogbodo Male Bogun Seja Unde, Alaíde Augusta da Conceição, a veneranda vodunce Alaíde de Oyá, em dezembro de 2008. Estudos e avaliações feitas pelos técnicos do Iphan ressaltam que as ações de proteção à casa de candomblé são necessárias em função do risco provocado pela especulação imobiliária.

Além do Roça do Ventura, são tombados também o Terreiro da Casa Branca, Terreiro de Candomblé do Bate-Folha Manso Banduquenqué, Terreiro do Alaketo, Ilê Maroiá Láji, Terreiro do Axé Opô Afonjá, Terreiro do Gantois – Ilê Iyá Omim Axé Yiamassé, todos em Salvador, e o Terreiro Casa das Minas Jeje, em São Luís (MA).

Os tombamentos foram decididos na  77ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio do Iphan. Foram tombados ainda a Coleção Geyer, do Museu Imperial de Petrópolis (RJ), e o acervo do Museu de Artes e Ofícios de Belo Horizonte (MG).

A Coleção Geyer é uma das maiores coleções de origem particular de desenhos, pinturas, gravuras, litografias, mapas, álbuns e livros de viagem sobre o Brasil. O acervo de quase 3 mil peças, reunidas ao longo de 40 anos na residência dos Geyer, inclui móveis, louças, objetos de decoração e prataria. O conjunto é considerado a maior coleção de brasiliana em mãos particulares.

Já o acervo do Museu de Artes e Ofícios, originado da coleção de Flávio e Ângela Gutierrez, reúne ferramentas que se tornaram símbolos do empenho da classe trabalhadora no processo de crescimento do Brasil. Os bens registram práticas que podem ser consideradas parte de uma importante documentação histórica de grande valor nacional.

Editor Aécio Amado

 

Extraíddo do Portal de Notícias da EBC
http://www.ebc.com.br/cultura/2014/12/terreiro-roca-do-ventura-e-o-setimo-a-ser-tombado-pelo-iphan

 

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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