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Terreiros de candomblé pedem ajuda para manter intacta a pedra de Xangô

Por Silvana Blesa

Publicada em 10/02/2014 03:24:00

  Simpatizantes e adeptos de terreiros de Candomblé se juntaram ontem na 5ª caminhada da Pedra de Xangô. Mais de 300 pessoas se reuniram na Avenida Assis Valente, bairro de Cajazeiras X e percorreram em caminhada até o rochedo, tido como um local sagrado para o candomblé.   Muito emocionada, mãe Iara de Oxum, organizadora do evento, pede socorro às autoridades para que o local seja tombado e evitar que seja implodido. Há cinco anos, conforme mãe Iara, vários terreiros entraram com solicitação de tombamento do rochedo e desde essa época que os líderes de terreiros se unem todo segundo domingo de fevereiro para caminhada até a pedra e fazem as entregas de oferendas para Oxum. A pedra também é símbolo da luta dos escravos pela libertação, pois ali se reuniram os negros no período colonial para organização do quilombo conhecido por Buraco do Tatu. “Antes, esse local era isolado das casas e de empreendimentos empresariais, mas, os rumores de destruição do rochedo crescem junto com a especulação imobiliária”, disse. Mãe Iara reforçou que, sem esse altar, acaba a história do negro. “Sem a folha, água e a pedra não temos elementos para continuar na religião que precisa da natureza para sobreviver. Precisamos preservar esse local para poder impedir que pessoas descartem lixo no local, como vem ocorrendo”, explicou. Xangô, um dos principais orixás no panteão africano é o patrono da justiça. Kaô kabiesilê, sua saudação, em tradução aproximada para o português, significa “o rei quis assim”. Tem como parceira mais constante a orixá Iansã, embora se relacione também com Obá e Oxum. Segundo os historiadores, a rocha é sua força da natureza e o machado, seu símbolo. Nos candomblés de origem jeje, cultuados no Benin, é chamado Kavione.   A irmã de mãe Iara, Obatu Nay, reforçou que é grande a expectativa com esse trabalho de resistência designado todos os anos. “Tenho certeza que vamos conseguir vencer essa luta”. Um dos parceiros da caminhada, Severiano Alves, acrescentou que mãe Iara criou um ponto cultural em Cajazeiras. “Estamos na 5ª caminhada e com certeza a 6ª será melhor ainda. O intuito maior é a preservação da pedra que é um símbolo de Cajazeiras. Vamos lutar que seja tombado. Vamos falar com o prefeito, governador e se precisar, com a presidente da república”, concluiu Severiano. Representantes da prefeitura e de outras entidades também participaram do movimento.   Extraído do Portal A Tribuna da Bahia http://www.tribunadabahia.com.br/2014/02/10/terreiros-de-candomble-pedem-ajuda-para-manter-intacta-pedra-de-xango

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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