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Terreiros de umbanda e candomblé serão legalizados em mutirão

19/10/16 16:59 Atualizado em19/10/16 17:09

 

Religiosos estão reunidos em prol da legalização dos terreiros Foto: O Globo / Fabio Rossi
Religiosos estão reunidos em prol da legalização dos terreiros Foto: O Globo / Fabio Rossi

Wilson Mendes

 

Há uma energia conectando os terreiros de umbanda e candomblé da região. Uma vontade que está levando os espaços à luz da legalidade. E os religiosos e seus orixás não estão sozinhos nisso: a Alerj, a Defensoria Pública e a UFF se reuniram em torno da missão de documentar todas as mais de mil casas de Niterói e São Gonçalo. Os processos serão realizados gratuitamente.

— Os benefícios vão além do desconto no IPTU. Você fica amparado em situações de violência, por exemplo, e tem fixado seus direitos e deveres bem claros. Além de fortificar a religião, fazendo parte das estatísticas — enumera o babalorixá Bira T’Omolu, que tem barracão no Jardim Catarina há 30 anos, legalizado em 2010.

 

Bira do Omolu, do terreiro Egbe Ilê Axé Baba Oluwaiye Foto: Thiago Freitas / Extra
Bira do Omolu, do terreiro Egbe Ilê Axé Baba Oluwaiye Foto: Thiago Freitas / Extra

A missão é antiga. Bira já fala da necessidade de apoiar os terreiros desde 2006, em parte pela própria experiência. Mas foi um filho de santo dele, o babalorixá Cristiano D’Oxóssi, que começou a gastar a sola do sapato.

— Comecei a percorrer diversas casas reunindo documentação, em 2010. Muitos terreiros são em fundo de quintal, barracões escondidos. Então o trabalho ainda não acabou — diz Cristiano, que tem terreiro no Fonseca, em Niterói.

A materialização do trabalho, no entanto, só está acontecendo agora. A primeira de uma série de reuniões para formalizar o processo aconteceu no último dia 28. A segunda será na próxima quarta-feira, na sede da Defensoria Pública, no Centro do Rio.

— A legalização não resolve tudo, mas, na ilegalidade, ficam mais vulneráveis — diz o deputado Carlos Minc, presidente da Comissão de Combate às Discriminações.

Só 11 são registrados

Para inscrever um terreiro, o interessado precisa fazer contato com Cristiano D’Oxóssi pelo telefone 96413-2818. É preciso entregar cópias de identidade, CPF e comprovante de residência de todos os membros da diretoria. Lá, o terreiro ganhará um estatuto, que é o primeiro passo para a legalização. O serviço também é gratuito.

Uma das reuniões do projeto Terreiro Legal Foto: Divulgação
Uma das reuniões do projeto Terreiro Legal Foto: Divulgação

A iniciativa que envolve a Alerj, no entanto, não é a única. O projeto Terreiro Legal, lançado em 2014, em São Gonçalo, também luta pela regularização dos templos de religiões de raízes afro.

Jussara de Yemonja e Gilmar de Oya Foto: Divulgação
Jussara de Yemonja e Gilmar de Oya Foto: Divulgação

— A intenção é capacitar as casas em questões jurídicas. Enfrentamos preconceito até em cartórios em São Gonçalo, além da burocracia. Hoje, registradas, temos apenas 11 casas em São Gonçalo — afirma o pai Gilmar de Oya, coordenador do projeto.

 

Extraído do site do jornal Extra / Rio de Janeiro – RJ
http://extra.globo.com/noticias/rio/terreiros-de-umbanda-candomble-serao-legalizados-em-mutirao-20316358.html#ixzz4NabkB9dr

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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