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Territórios de África em Salvador: Nigéria baiana

Carla Trabazo

Em meio às casas coloridas do Pelourinho, perto da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, um prédio que funcionava como senzala durante o período do Brasil Colônia ganha cores verdes e brancas para se transformar na Casa da Nigéria. Depois de Benin e Angola, a Nigéria fincou mais uma casa africana em Salvador, desde 2008.

 

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De acordo com o diretor da casa, Muajeed Oybamiji Oyewo, o interesse em estreitar a conexão com o país africano veio de algumas baianas – isso mesmo, aquelas que vendem acarajé paramentadas com turbantes -, que falaram com o Governo da Bahia para que entrasse em contato com a Nigéria. “Aqui é um local ancestral, uma promoção da cultura nigeriana. E isso foi possível com a mobilização das baianas, que queriam que o Candomblé pudesse estar mais próximo às suas origens”, conta o diretor nigeriano que preferiu conversar em inglês por ainda estar em fase de aprendizado do português.

A Nigéria é o país mais populoso do continente africano, com cerca de 140 milhões de habitantes. Fazendo fronteira com Benin, Níger, Chade e Camarões, o país é a segunda maior economia da África e tem como idioma oficial o inglês.

Com o apoio financeiro da Embaixada da Nigéria, em Brasília, o local conta com um acervo de quadros, esculturas e panos produzidos por artistas nigerianos. A casa oferece cursos gratuitos de iorubá e inglês, aulas de dança e música afro e, ainda, dispõe de livros e materiais informativos, um museu e palestras.

Desde um pouco antes dos anos 1800, uma grande quantidade de escravos nigerianos foi exportada para Salvador, contribuindo para mesclar, ainda mais, a rica diversidade cultural da cidade. “Me sinto em casa aqui. A comida é parecida:  acarajé, inhame, legumes e abará, a religião do Candomblé é muito similar às do meu país e o clima me faz pensar que estou em casa”, revela o diretor, que chegou ao Brasil em 2012.
A Casa da Nigéria recebe diversos estudantes e turistas curiosos. Há, ainda, a presença de uma pequena colônia de nigerianos, cerca de 100 pessoas, que residem na capital baiana e fazem da casa o seu ponto de encontro. “Aqui tem muitos nigerianos que já têm seu próprio negócio ou trabalham para o governo. Tem vários intercambistas também e muitos vêm aqui para lembrar um pouco mais de sua terra”, explica Oyewo.

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Para o dia da Consciência Negra, o diretor conta que a burocracia entre o governo da Nigéria, a Embaixada em Brasília e a Casa é complicada para que sejam realizadas celebrações para o dia, mas que ele busca participar de todos os eventos em que a Casa da Nigéria é convidada. “Quando este dia chega você se lembra de quem você é. Mas isso não deveria ser só sobre celebrações. O Governo deveria encorajar para que fossem feitas mais do que celebrações”, lamenta o nigeriano.

 

Serviço:
Endereço: Rua Alfredo de Brito, 26 – Pelourinho, 40025-040
Telefone:(71) 3326-2021
Horário: Segunda a sexta – 9 às 18h.

 

Fonte: http://www.correio24horas.com.br/noticias/detalhes/detalhes-1/artigo/territorios-de-africa-em-salvador-nigeria-baiana/

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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