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Tradição brasileira, ‘Dia do Preto Velho’ é celebrado em terreiros da Capital

Festa afro brasileira celebra nossos ancestrais 

Júlia de Miranda

13/05/2016 14h10 – Atualizado em 13/05/2016 16h04

 

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· Festa de preto Velho na Tenda de Umbanda Pai Joaquim / Divulgação / Aretusa Nogueira

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No dia de hoje, 13 de maio, só que lá em 1888, a Princesa Isabel assinava a Lei Áurea, que abolia oficialmente a escravidão no Brasil, acontecimento que registra mais de 300 anos de resquícios brutais contra o povo negro. E como costume umbandista, é celebrado o Dia do Preto Velho, os espíritos ancestrais, em sua maioria foram escravos idosos que viveram a dura jornada dentro dos cativeiros dos senhores de engenho, mas que superaram e transcenderam toda a tortura.

Resgatada a memória dos fatos, adentramos numa tradicional tenda de umbanda, e quando os tambores começam a tocar, a cerimônia se inicia com os pontos (preces cantadas) que invocam as entidades que os médiuns incorporam para atender os fiéis. A festa é para os pretos velhos, dessa forma as comidas típicas dos ‘vovôs e vovós’ como bolo, canjica, feijoada e cafezinho são oferecidos no local no momento da comemoração.

Segundo a Mãe de Santo Aline Arcanjo, 33, que coordena a Tenda de Umbanda Pai Joaquim de Angola na Capital, o dia de hoje é muito especial, pois a emoção toma conta do ambiente. “Nossa casa realiza a celebração há 19 anos. Essas entidades têm a função de ajudar e curar à todos que nos procuram. A umbanda é fé, humildade e caridade, não cobramos nada por isso. É importante valorizar a cultura negra presente em nosso país e o respeito entre todas religiões”, afirmou. Filha de Iansã com Ogum, dois orixás guerreiros, a Mãe de Santo contou que se encontrou na religião logo quando começou a frequentar as ‘giras’ (reuniões) e que para se tornar um filho de santo é necessário muito estudo, amor e compreensão sobre o tema.

Outra casa que é uma das mais antigas da cidade, o Templo de Umbanda Pai Oxalá também vai celebrar os antepassados. A expectativa é que aproximadamente 250 pessoas participem do evento. O dirigente espiritual Orlando Mongelli, 82, reitera o valor de lembrarmos a libertação dos escravos, fase que resultou em muito sofrimento para esses. “Os Pretos Velhos são muito sábios e humildes, pregam o carinho e a amizade. Precisamos viver sem agressividade, isso é muito relevante”, comentou Orlando que completa 43 anos de casa e da tradicional consagração dos Pretos Velhos.

Colcha de retalhos

Vamos imaginar o mapa do Brasil como uma colcha de retalhos: nele colocamos um pouco dos índios, mais um bocado da colonização portuguesa, do povo italiano, espanhol, árabe, da imigração japonesa e muita, mais muita influência Africana. Afinal, moramos na segunda maior nação negra do mundo, depois da Nigéria.

Toda essa riqueza costuradinha junto ao processo histórico do país, monta esse caleidoscópio que é nossa identidade cultural. Somos um país majoritariamente negro (e isso não está ligado somente à cor da pele) – a língua portuguesa que falamos é culturalmente negra. Música, danças, comidas, roupas e as religiões: candomblé e umbanda, essa última tida como doutrina brasileira com origem em Niterói, Rio de Janeiro, por volta do ano de 1900.

Serviço – Festa do Dia do Preto Velho no Templo de Umbanda Pai Oxalá (Avenida Joana Dar’c 800 – Pioneiros), às 18h45. A celebração também acontece na Tenda de Umbanda Pai Joaquim de Angola (Rua General Alberto Mendonça de Lima 1882, São Conrado), às 19h. Entrada é gratuita.

 

Extraído do Jornal Digital Midia Max / Campo Grande – MS
http://www.midiamax.com.br/midiamais/dia-preto-velho-celebrada-terreiros-capital-300830

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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