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Turbantes são usados como acessórios e instrumento de empoderamento

Evento acontece nesta sexta-feira (20) na Praça da Cruz Caída, no Centro Histórico

Daniel Silveira

16/11/2015 10:48:00Atualizado em 16/11/2015 10:58:23

 

Usados por adeptos das religiões de matriz africana, os turbantes, ou ojás, como também são chamados, saíram dos terreiros e ganharam as ruas. Simples ou elaborados, estampados ou não, uma coisa é certa: são acessórios de beleza e peças importantes no empoderamento das pessoas negras.

“O uso se tornou comum. Dá para ir em qualquer lugar com turbante”, explica Dete Lima, uma das fundadoras e estilista do bloco Ilê Aiyê. A jornalista Cristiele França, criadora da  Ori Turbantes, concorda. “Cabe em qualquer ocasião, é só adequar”, conta ela, que já  usou a peça até em um casamento. “Usei um turbante vermelho enorme quando fui madrinha”, lembra.

A jornalista Cristiele França já foi até em casamento usando turbante (Foto: Angeluci Figueredo/Arquivo Correio)
A jornalista Cristiele França já foi até em casamento usando turbante (Foto: Angeluci Figueredo/Arquivo Correio)

Só que para ostentar a peça, é preciso ter atitude. “Acredito que usar turbante é inteligência, elegância, empoderamento e cidadania”, opina Dete. Cristiele conta que quando começou a usar o acessório recebia olhares estranhos na rua, mas atualmente eles quase nem existem. “Quando a gente passa a utilizar o que nos pertence, passa a não ligar mais para os olhares”, diz.

Os turbantes se tornaram tão comuns que a estudante de Moda Baiana Isadora Alves resolveu criar a Com Amor, Dora, marca que desfilará no Afro Fashion Day, na próxima sexta-feira, Dia da Consciência Negra. A loja vende turbantes, faixas e tiaras que não precisam ser amarrados. “São peças para quem quer praticidade, que não tem tempo de fazer amarração, que se apoia em um conceito urbano”, conta.

Para Cecilia Cadile, o acessório é político e social. Pensando em quem não tem muito tempo para fazer amarrações, Isadora Alves criou uma marca de turbantes (Foto: Acervo Pessoal e Angeluci Figueredo/Arquivo CORREIO)
Para Cecilia Cadile, o acessório é político e social. Pensando em quem não tem muito tempo para fazer amarrações, Isadora Alves criou uma marca de turbantes (Foto: Acervo Pessoal e Angeluci Figueredo/Arquivo CORREIO)

Com tanta gente usando turbantes, não falta também quem queira aprender a fazer as amarrações. Esse foi um dos motivos que levaram a baiana Thaís Muniz a criar o Turbante.se, iniciativa que trabalha usos e significados do acessório, além de ajudar na militância de mulheres negras. “Com o projeto, me tornei muito mais consciente,  evoluí muito, para influenciar outras mulheres através do orgulho e da afirmação racial”, declara.

Thaís também é responsável pelo projeto itinerante Tráfico de Influência, que tem o objetivo de ressignificar estátuas e monumentos públicos ao redor do mundo com turbantes. “A ideia é recriar memórias adormecidas, contando histórias e costumes da minha gente que a sociedade esqueceu ou nunca ouviu falar”, explica.

Thaís Muniz é responsável pelo projeto itinerante Tráfico de Influência, que ressignifica estátuas e monumentos públicos ao redor do mundo com turbantes (Foto: Divulgação)
Thaís Muniz é responsável pelo projeto itinerante Tráfico de Influência, que ressignifica estátuas e monumentos públicos ao redor do mundo com turbantes (Foto: Divulgação)

Para Cecilia Cadile, o acessório não é apenas estético, mas também político e social. Ela estará à frente da oficina de turbantes que acontecerá durante o Afro Fashion Day. A oficina oferecerá 40 vagas. As inscrições, gratuitas, serão realizadas no dia do evento. “Vou falar um pouco da história, sobre Dete, Negra Jhô, trazer a importância histórica do acessório e ensinar as mulheres a adaptar os turbantes a qualquer lugar e momento”, explica a designer de moda.

O Afro Fashion Day é uma realização do jornal CORREIO com apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador, do governo do estado, através da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial da Bahia (Senac-BA) e do Hapvida. O evento, com entrada franca, será realizado na Praça da Cruz Caída (Centro Histórico), a partir das 15h. Além da aula de turbantes, a programação conta com oficinas de maquiagem e feiras de manufatura e gastronomia. O desfile será às 18h30.

 

Extraído do site do Jornal Correio* 24 Horas / Salvador – BA
http://www.correio24horas.com.br/single-entretenimento/noticia/afro-fashion-day-turbantes-sao-acessorios-e-instrumento-de-empoderamento/?cHash=ac5c75ec82cd871ae8bf5d93d94a718f

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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