Breaking News

UJS lança nota de repúdio à LGBT fobia

Devido à repercussão que teve a performance de uma transexual durante a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo – realizada no último domingo (7) –  que desfilou “crucificada”, em alusão à figura de Jesus, a UJS lançou uma nota de repúdio à homofobia expressada de forma virulenta pelas redes nos dias seguintes ao evento.

11 de junho de 2015 – 13h11

 

Reprodução A atriz que fez a apresentação é Viviany Beleboni, tem 26 anos, é transexual e espírita
Reprodução
A atriz que fez a apresentação é Viviany Beleboni, tem 26 anos, é transexual e espírita

O desfile que aconteceu no domingo (7) teve grande repercussão nas redes. Houve quem apoiasse a atitude corajosa da jovem de 26 que representou “Jesus”, por outro lado, houve quem ameaçou, disseminou ódio e incitou a violência.

Para a entidade, o desfile não feriu a fé religiosa, visto que o objetivo nunca foi esse e sim retratar a situação de vulnerabilidade em que vivem os gays, as lésbicas, os travestis, transexuais e transgêneros diariamente.

A Frente Nacional LGBT da UJS acredita na liberdade religiosa e destaca ainda que LGBT’s também podem ter suas religiões. Independente da orientação sexual, as crenças são de foro íntimo e por isso, devem ser respeitadas.

Leia a nota na íntegra: 

A crucificação é todo dia, UJS contra a LGBTfobia

A Parada do Orgulho Gay de São Paulo é o movimento social que acumula todos os anos centenas de milhares de pessoas, mobiliza além da cidade e estado de São Paulo, muitas outras regiões do Brasil. A grande participação da comunidade LGBT se dá por muitos motivos, mas principalmente por que os dias em que se realizam as Paradas são os únicos, e poucos do ano, em que os nossos afetos, a nossa luta por sobrevivência e o nosso amor tomam às ruas.

Tomar as ruas significa ocupar um espaço que deveria ser de pertencimento de todas e todos, mas que para nós não o é. Nas ruas é que somos achincalhados, violentados física e moralmente, mortos e mercantilizados pelo sexo. Demonstramos que queremos um espaço democrático, livre e de igualdade para ocupar a totalidade das cidades, e não só os nichos mercadológicos destinados a nos esconder.

As lutas que travamos hoje por direitos civis fazem parte do nosso dia a dia e influenciam nas nossas vivências futuras, a retirada da Homossexualidade da lista de patologias da OMS, a União Homoafetiva, o Nome Social, a Adoção, a Criminalização da LGBTfobia entre tantas outras culminam na defesa da liberdade de se expressar, da dignidade da pessoa humana e de amar.
Acreditamos na liberdade religiosa, LGBTs também podem ser católicos, evangélicos, espíritas, umbandistas, candomblecistas, agnósticos além de optar por não ter crença alguma. As crenças são de foro íntimo e devem ser respeitadas.

Com relação a polêmica em torno da “crucificação” na Parada Gay, é necessário entender o contexto em que foi utilizada para evitar novas e maiores hostilidades contra os LGBT’s. A encenação, inclusive, teve isso como objetivo. Mostrar que milhares de pessoas permanecem sendo agredidos, assassinados – e por que não crucificados – por conta unicamente da orientação sexual e da identidade de gênero que assumem.

A opção pela imagem da cruz talvez tenha sido para provocar uma reflexão entre aqueles que, se utilizando de prováveis preceitos religiosos, reproduzem as mais duras opressões. Se esse foi o objetivo, julgamos correta a iniciativa e manifestamos nosso apoio. A tolerância entre todos os segmentos étnico-culturais, religiosos e de gênero é fundamental para o avanço e aprofundamento da democracia em nosso país!

É possível identificar em diversos meios de comunicação, grandes e pequenos, impressos e digitais, de grande relevância social ou não a figura de outras ‘crucificações’ que não ganharam repúdio, mas a resposta está aqui, a figura atentatória e inadmissível é da Transexual, é da LGBT.
Devemos repensar os julgamentos, não foi demonstrado em momento nenhum intolerância religiosa, já foram intolerantes conosco. Não demonstramos em nenhum momento ódio às pessoas religiosas ou à imagem cristã, já demonstraram ódio contra nós.

A construção da expressão ‘Pecado’ se deu por mais de um milênio de história, pelas Igrejas (‘Santa’ Inquisição), pela Monarquia, pela Burguesia, pelo Sistema Capitalista e arraigada na mente das pessoas fez sangrar muitas mulheres e muitos LGBTs ao longo dessa nossa história da humanidade, a apropriação deste discurso continua causando derramamento de sangue.
Iremos continuar ocupando as ruas, lutando pela liberdade de amar, lutando por direitos civis, lutando pela construção do socialismo e principalmente lutando para que Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transsexuais não sejam ‘demonizadxs’ e Crucificados todos os dias.

( Frente Nacional LGBT UJS)

 

Do Portal Vermelho

Extraído do Portal Vermelho.org / São Paulo – SP
http://www.vermelho.org.br/noticia/265471-8

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

Related posts

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *