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Um Novo Olhar sobre o Candomblé

Odé Kileuy & Vera de Oxaguiã

 

De há muito que se fala que o candomblé está se modificando. Alguns dizem que antigamente não se agia de uma determinada forma, que não se fazia isso ou aquilo… Correto! Mas o mundo modifica-se a cada segundo! A própria natureza é mutável. As mudanças, quando positivas, são benéficas.

A nossa religião é milenar, certo? Então, em determinadas épocas ela reestrutura-se. Ela deixou de ser uma forma familiar, na África, onde a vida social e religiosa não tinha divisões, para formar, no Brasil, novas famílias interraciais.

A iniciação no candomblé produz laços familiares divinos (com os nossos orixás) e religiosos (com nosso babalorixá e seu orixá) para o resto das nossas vidas. E, justamente, por isso, é um período que foge ao nosso modo de viver, socialmente.

Os antigos tinham uma visão muito severa e arcaica desse período, onde quase tudo é proibido. Será que nos dias atuais as pessoas estão se sujeitando a passar pelos hábitos do passado? A visão do homem atualmente está mais progressista e mais elitista. Porém, os conhecimentos do candomblé não podem ser modificados em função das pessoas que o frequentam.

Algum conforto e certos melhoramentos são excelentes modificações para o período de recolhimento. Um roncó limpo, arejado e claro, com certeza, vai ajudar muito nesse período. Algumas casas de candomblé já aceitam certos quesitos mais modernos, para maior conforto de seus iniciados. Isto fica a critério de cada babalorixá. O mais importante, nesta época, são os fundamentos, os preceitos, as liturgias e os conhecimentos que o babalorixá irá passar para seu novo filho.

A modernidade modifica religiões pela necessidade de comodidade dos seus adeptos. Porém, se os candomblecistas desejarem modernizar-se ao extremo, a religião perderá muitas de suas tradições e fundamentos religiosos.

Será que essa perda da religiosidade, da simplicidade e da vivência ancestral vai trazer prejuízos para a religião, vai trazer perda de saberes? É necessário um novo olhar para o candomblé, pois conhecimentos milenares não repassados a outros, tornam-se perdidos e dificilmente conseguirão ser resgatados.

Atenção, jovens imediatistas: o candomblé é religião de aprendizado contínuo, que requer muita paciência, muita vontade, muita disponibilidade e muito, muito AMOR!

About The Author

Odé Kileui, radialista e babalorisá, Odé Kileui, dispensa apresentações, pois seu programa na Rádio Tropical-Solimões o credencia para se tornar um dos melhores porta-vozes da nossa cultura iorubá, seu talento natural, ao lado de Vera d´Osogiyan, ainda o torna um dos nossos maiores escritores sobre o assunto.

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