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Umbanda rejuvenesce, mas mantém a tradição de cultuar Iemanjá no fim de ano

07/12/2015 às 14:05
572152-970x600-1O maior encontro anual de umbandistas foi aberto neste fim de semana, em Praia Grande, litoral sul de São Paulo para homenagear a Orixá mais popular do Brasil, Iemanjá, a Rainha do Mar.

Como tradição, desde os anos 1960, adeptos da Umbanda comemoram no dia 9 de dezembro, data antes dedicada a Oxum, o dia de Iemanjá.

Em meados da década de 1950, os primeiros umbandistas do Estado de São Paulo promoviam o “encontro das águas” em São Vicente com procissão das duas rainhas das águas.

Com o passar dos anos, o aumento da população de São Vicente, também no litoral sul paulista, e à proximidade de uma área militar, os adeptos escolheram Praia Grande para manter a tradição de reunir as tendas para as comemorações. O que poucas pessoas sabem é que os médiuns organizados pelo Primado da Umbanda homenagearam o espírito Caboclo Mirim batizando o bairro como Vila Mirim.

Nos anos 1970, Iemanjá já era a Orixá mais popular do Brasil com várias imagens e músicas dedicadas a Rainha do Mar.

Os fiéis da Umbanda, religião tipicamente brasileira que tem preceitos do Kardecismo com a incorporação de entidades populares como Caboclos, Pretos Velhos, Marinheiros, Baianos, adoram os Orixás por sua “força da natureza”.

Muitos jovens participam das cerimônias de Umbanda. A sacerdotisa Domitilde Pedro, 60, que está na religião há 35 anos, explica que em seu templo muitos jovens buscam carinho. “Recebemos visitas de judeus, evangélicos, católicos que vão para um conselho. Iemanjá é a mãe que representa esse amor” diz Mãe Domitilde.

Segundo Pai Alexandre Cumino, 42 sacerdote e professor, autor de vários livros sobre a Umbanda, explica: “A umbanda é a religião essencialmente voltada para o bem, não fazemos nenhum mal para a sociedade, nosso princípio é a prática da caridade”. O líder religioso que coordena um colégio de umbanda percebe que as casas que tem estudo tem recebido novos adeptos.

Neste ano, a festa foi marcada por ocorrer pela primeira vez sem presença da maior referência da religião, o Pai Rubens Saraceni, que morreu em março e era incentivador da tenda coletiva.

Diferente das outras tendas que reservam o espaço para os trabalhos e atendimento do público, a mega tenda da AUEESP – Associação Umbandista e Espiritualista do Estado de SP- recebeu na madrugada de domingo 2200 adeptos de branco para cantar e homenagear Iemanjá. A organização vendeu ingressos no valor de R$ 30,00, para custeio da estrutura e trabalhadores e visitantes colocavam uma pulseira amarela de identificação para acessar a tenda.

Cumino comenta que “festejamos Iemanjá em dezembro para fechar o ano com agradecimentos e pedidos para o próximo que se inicia com harmonia e prosperidade. Os rituais da Umbanda são praticados na maior parte do litoral brasileiro sem saber o por quê. Pular 7 ondas significa as 7 linhas da Umbanda, usar roupa branca, oferecer flores e champanhe, tudo isso são agrados a Iemanjá. Na década de 60, o Rio de Janeiro ditava a moda e os leigos copiavam os umbandistas que faziam os rituais discretamente nas praias.

A prefeitura de Praia Grande apesar de ter perdido espaço para Mongaguá e Guarujá estima receber nos dois finais de semana cerca de 300 mil religiosos.

DIFERENÇAS ENTRE UMBANDA, CANDOMBLÉ E KARDECISMO

Kardecismo é doutrina espírita baseada no evangelho de Jesus Cristo, psicografada por Allan Kardek que prega a paz, a harmonia sem adoração aos Orixás ou qualquer entidade. Tem cunho filosófico voltado para a evolução do homem por meio da prática do bem por meio da humildade e caridade

Candomblé religião milenar vindo da África com os escravos que sincretizaram os Orixás em santos católicos para enganar a elite que não tolerava outra religião. No Candomblé o líder ou a líder religiosa são os Babalorixás e a Iyalorixás. A incorporação dos médiuns são para os Orixás que não falam. A consulta é feita pelo líder religioso por meio do jogo de búzios, muito comum na Bahia e Maranhão

Umbanda foi apresentada no Brasil em 1908 pelo jovem Zélio Fernandino de Moraes, na época com 18 anos, que incorporou o seu mentor espiritual ” Caboclo das Sete Encruzilhadas” e deu as diretrizes na religião assemelhada ao Kardecismo, porém, com trabalho de entidades como os Pretos-Velhos, Caboclos, Baianos, personagens tipicamente brasileiros. Adoram os Orixás e, no altar Jesus Cristo sempre está no alto.

Orixás são divindades que tem suas forças ligadas a natureza e tem sentimentos humanos. Cada Orixá tem sua característica própria.

 

Extraído do site do Jornal Floripa / Florianópolis – SC
http://www.jornalfloripa.com.br/emcimadahora/site/?p=noticias_ver&id=19676

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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